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A Rússia ameaçou esta quinta-feira lançar novos bombardeamentos em grande escala contra a Ucrânia, depois de um ataque com drones ucranianos atingir uma importante refinaria de petróleo na região de Moscovo, pela segunda vez em apenas uma semana.
O aviso foi deixado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, que, questionado sobre a ofensiva ucraniana, recordou que o Presidente Vladimir Putin já tinha anunciado uma resposta militar de grande dimensão.
"As nossas forças armadas estão a trabalhar nisso e vão continuar a fazê-lo", afirmou Lavrov aos jornalistas.
O ataque provocou um incêndio na refinaria da Gazpromneft, situada no distrito de Kapotnya, a cerca de 15 quilómetros do Kremlin. Segundo o presidente da Câmara de Moscovo, Serguei Sobyanin, vários projéteis atingiram as instalações, embora o fogo tenha sido posteriormente "em grande parte contido".
De acordo com jornalistas da agência France-Presse (AFP) no local, grandes colunas de fumo negro elevaram-se da refinaria durante a manhã, enquanto helicópteros foram mobilizados para ajudar a combater as chamas.
Aeroportos afetados e maior ataque em anos
A ofensiva levou também à interrupção temporária de voos nos aeroportos da capital russa, naquele que a agência estatal Tass classificou como o maior ataque com drones contra Moscovo em pelo menos dois anos.
Segundo o Ministério da Defesa russo, os sistemas antiaéreos intercetaram 555 drones ucranianos durante a última noite em diferentes regiões do país, dos quais quase 200 se dirigiam para Moscovo.
A refinaria atingida abastece mais de um terço das necessidades de combustível da capital russa, incluindo os aeroportos, de acordo com informação disponível no seu sítio oficial.
Nos últimos meses, a Ucrânia tem intensificado os ataques contra infraestruturas petrolíferas russas, procurando reduzir as receitas que Moscovo utiliza para financiar a invasão iniciada em fevereiro de 2022.
Zelensky justifica ataque
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou o bombardeamento da refinaria como uma "resposta totalmente justificada" aos ataques russos contra cidades e infraestruturas civis ucranianas.
Numa mensagem áudio enviada à imprensa, Zelensky afirmou que "o essencial é que o povo russo está a começar a perceber que um homem, Putin, está a travar esta guerra, enquanto as pessoas comuns pagam o preço total".
O ataque ocorreu poucas horas depois de o chefe de Estado ucraniano anunciar que manteve contactos com o Presidente norte-americano, Donald Trump, e com o Presidente francês, Emmanuel Macron, garantindo ter obtido novas promessas de apoio durante a cimeira do G7 realizada esta semana em França.
Negociações continuam bloqueadas
Apesar dos esforços diplomáticos promovidos pelos Estados Unidos, as negociações de paz permanecem praticamente paralisadas. Moscovo e Kiev continuam profundamente divididos quanto ao futuro dos territórios ocupados pela Rússia e às garantias de segurança exigidas pela Ucrânia para evitar novas agressões.
Enquanto isso, prosseguem os ataques aéreos de ambos os lados e os combates terrestres mantêm-se intensos ao longo da frente de guerra, sem alterações significativas no equilíbrio militar.