O centro das atenções da Gala anual do Festival de Primavera do China Media Group foi a atuação de robôs humanoides dançarinos, numa exibição tecnológica transmitida para milhões de pessoas em todo o mundo.
Perante aquela que é considerada a transmissão com maior alcance global do evento, os robôs deixaram os espectadores de boca aberta com passos de dança sincronizados, golpes de artes marciais e proezas de ginástica, incluindo mortais para a frente e aterragens de joelhos quase perfeitas.
In just one year, they have evolved from robots to "humans".
— Tansu Yegen (@TansuYegen) February 16, 2026
2025&2026 Chinese Spring Festival Gala
pic.twitter.com/OxOH38JXEE
O objetivo foi cumprido. A atuação impressionou. Mas também levantou questões. Para lá da dança e dos golpes de kung fu, que outras capacidades escondem estes robôs humanoides desenvolvidos na China?
As opiniões sobre qual a mensagem que a China envia ao mundo com esta atuação dividem-se. Vários especialistas defendem que a exibição se trata mais de uma manobra de propaganda estatal do que uma demonstração de poder tecnológico, mas reconhecem que o espetáculo é prova de uma estratégia mais ampla de afirmação global da China na tecnologia.
Assim, a apresentação da mais recente geração de robôs humanoides parecer ser um
sinal claro das ambições tecnológicas da China. Segundo o jornal The Guardian, no final de 2024 o país tinha registado 451.700 empresas de robótica inteligente, com um capital total de 6,44 biliões de yuans, cerca de 792 mil milhões de dólares.
Grandes programas governamentais, como o plano Made in China 2025 e o 14.º Plano Quinquenal, colocaram a robótica e a inteligência artificial no centro das prioridades estratégicas de Pequim, reforçando o investimento em inovação e automação avançada.
A verdade é que a atuação dos robôs pode ter sido uma das razões para o elevado número de espectadores. A transmissão da gala deste ano bateu recordes de audiência em todas as plataformas, registando um aumento de 37,3% face ao ano anterior.
Entre espetáculo, propaganda e avanço tecnológico, os robôs bailarinos da China deixaram uma certeza: a corrida global pela liderança em robótica e inteligência artificial está longe de ser apenas ficção científica.