Uma menina de cinco anos perdeu quatro dentes ao ser atingida por um robô humanoide na China e, nove meses depois, continua a não haver acordo sobre uma eventual indemnização, avançou a imprensa estatal chinesa.
De acordo com o jornal Yangtse Evening Post, o incidente ocorreu a 12 de novembro, quando a menina, durante uma visita organizada por um jardim de infância, assistia a um espetáculo no Museu de Ciência e Tecnologia de Xiangyang, na província de Hubei (centro).
Um robô que participava na atuação "deu subitamente um pontapé e atingiu-a no rosto", segundo o relato.
O Museu de Ciência e Tecnologia declarou ao jornal que o operador do robô "não avaliou corretamente a distância de segurança" na altura, o que provocou o acidente.
A menina começou a sangrar imediatamente e foi levada para o hospital, onde os médicos verificaram que o lábio superior necessitava de pontos.
"Um dente da frente foi arrancado, outro ficou solto e acabou por cair mais tarde, e os danos nas gengivas levaram à perda de dois dentes de leite adicionais durante o tratamento subsequente", de acordo com o jornal.
A mãe, de apelido Wang, afirmou que, nos últimos seis meses, a filha "tem vivido maioritariamente à base de uma dieta líquida" e "tem sofrido com frequentes inflamações nas gengivas e febres altas".
Wang acrescentou que as cicatrizes faciais também têm afetado consideravelmente o bem-estar psicológico da criança.
Passados mais de nove meses desde o incidente, ainda não foi alcançado qualquer acordo quanto à indemnização.
Wang referiu que a empresa de robótica ofereceu 20 mil yuan (cerca de 2.500 euros), para além das despesas médicas, enquanto a família exige um pagamento único de 150 mil yuan (mais de 19 mil euros) para cobrir os custos contínuos de recuperação e de tratamento das cicatrizes.
O principal ponto de discórdia centra-se no custo de procedimentos estéticos e de outros tratamentos ainda não realizados. A empresa, Hefei And Exhibition, recomendou que os pais "recorram à via judicial para resolver o assunto".
Wang disse que, mesmo de perto, o lábio da filha "continua assimétrico" e manifestou receio que as cicatrizes faciais poderem afetar as futuras opções de carreira da criança, "como a candidatura a academias militares ou o ingresso na polícia, que exigem um exame médico".
Em março, uma idosa foi levada para o hospital em Macau, no sul da China, devido a uma altercação com um robô humanoide nas ruas da região semiautónoma.
Numa resposta a perguntas da Lusa, O Corpo da Polícia de Segurança Pública (PSP) indicou à Lusa que o robô pertencia a um centro de explicações, sendo usado para atividades de promoção e operado por um funcionário do centro.
A presença do robô assustou uma septuagenária, resultando numa discussão que depressa se tornou viral quando o vídeo da discussão foi partilhado nas redes sociais.
A residente "não chegou a ter contacto físico com o robô e não se feriu, mas alegou sentir-se mal e precisou de ser hospitalizada. Ela recebeu alta posteriormente e nenhuma outra providência foi tomada em relação ao incidente”, acrescentou a polícia.
O robô, semelhante aos da companhia chinesa Unitree Robotics, foi levado por agentes policiais, numa medida para prevenir qualquer futuro incidente.
Nos últimos anos a China tem acelerado a liderança na produção de robôs humanoides, com alguns usados em atividades de segurança, apoio logístico, atividades comerciais e até entretenimento.
Analistas calculam que, das cerca de 15 mil instalações de robôs humanoides no mundo em 2025, mais de 85% ocorreram na China, com apenas 13% nos Estados Unidos.