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Alexei Navalny, que morreu há dois anos numa colónia penal na Sibéria, terá sido envenenado com uma toxina rara encontrada em sapos-dardo da América do Sul. A conclusão consta de um comunicado conjunto divulgado este sábado pelo Reino Unido, Alemanha, França, Suécia e Países Baixos.
Segundo os cinco governos, análises laboratoriais realizadas a amostras recolhidas ao líder da oposição russa confirmaram “de forma conclusiva” a presença de epibatidina, uma neurotoxina extremamente potente.
O que é a epibatidina
A epibatidina é um alcaloide tóxico isolado pela primeira vez na década de 1990 a partir da pele de sapos-dardo venenosos da América do Sul, nomeadamente da espécie Epipedobates tricolor. Estes anfíbios utilizam a toxina como mecanismo de defesa contra predadores.
De acordo com estudos publicados pelo National Institutes of Health e por equipas académicas internacionais, a epibatidina atua sobre os recetores nicotínicos da acetilcolina no sistema nervoso central. Trata-se de uma substância com potência analgésica centenas de vezes superior à morfina, mas com uma margem terapêutica extremamente estreita, podendo provocar insuficiência respiratória, convulsões e morte mesmo em doses muito reduzidas.
A sua elevada toxicidade e imprevisibilidade impediram a sua utilização clínica, sendo atualmente estudada apenas em contexto laboratorial.
Comunicado conjunto aponta para envenenamento
No comunicado agora divulgado, os cinco países europeus afirmam que as análises independentes realizadas em diferentes laboratórios permitiram identificar a neurotoxina no organismo de Navalny.
O opositor russo morreu numa prisão da Sibéria, onde cumpria pena. A notícia da sua morte foi anunciada pelas autoridades russas na altura, gerando forte reação internacional e acusações de responsabilidade política.
A nova posição conjunta de Londres, Berlim, Paris, Estocolmo e Haia reforça a tese de envenenamento, dois anos após a morte do dirigente oposicionista, e deverá reacender a pressão diplomática sobre Moscovo.