Revelações sobre Epstein colocam ex-ministro francês sob suspeita: a filha estava no testamento do criminoso

Jack Lang sublinhou que conheceu Epstein há cerca de quinze anos, numa altura em que, segundo afirma, nada apontava para comportamentos criminosos.
Revelações sobre Epstein colocam ex-ministro francês sob suspeita: a filha estava no testamento do criminoso

A Procuradoria Nacional Financeira de França abriu uma investigação preliminar ao antigo ministro da Cultura, Jack Lang, e à sua filha, Caroline Lang, por suspeitas de branqueamento de capitais agravado por fraude fiscal. A decisão surge na sequência de novas revelações relacionadas com o caso do norte-americano Jeffrey Epstein, de acordo com o Jornal de Notícias.

Em comunicado, a Procuradoria confirmou que o inquérito incide sobre “os factos revelados” por investigações jornalísticas recentes, nomeadamente as divulgadas pelo site Mediapart, que apontam para ligações financeiras entre a família Lang e o antigo financeiro, condenado por crimes sexuais.

Os nomes de Jack Lang, atual presidente do Instituto do Mundo Árabe, em Paris, e da filha mais velha surgem num conjunto de documentos tornados públicos pelas autoridades norte-americanas. Entre os elementos analisados estão referências a uma operação imobiliária em Marrocos e à utilização de estruturas empresariais em territórios considerados "paraísos fiscais".

Filha de Lang tinha empresa com Epstein

De acordo com a investigação do Mediapart, Caroline Lang terá criado, em 2016, uma empresa nas Ilhas Virgens Americanas em parceria com Epstein. A sociedade, denominada Prytanee LLC, teria sido utilizada para atividades no setor audiovisual e financeiro.

Os documentos revelam ainda trocas de mensagens relativas à venda de um riad (casa tradicional marroquina) em Marraquexe, em 2015, na qual a família Lang terá atuado como intermediária. Questionado sobre este episódio, Jack Lang afirmou não se recordar com precisão dos detalhes, indicando que apenas transmitiu exigências do vendedor.

Embora o ex-ministro tenha afirmado ter ficado surpreendido ao conhecer os crimes atribuídos a Epstein, investigações jornalísticas indicam a existência de contactos comerciais diretos entre as partes.

Em declarações à agência AFP, Jack Lang sublinhou que conheceu Epstein há cerca de quinze anos, através do realizador Woody Allen, numa altura em que, segundo afirma, nada apontava para comportamentos criminosos. “Aceito plenamente as relações que possa ter formado, numa altura em que nada sugeria que Jeffrey Epstein pudesse estar no centro de uma rede criminosa”, declarou.

O antigo governante descreveu ainda Epstein como “um generoso mecenas das artes”, integrado nos círculos culturais e sociais parisienses da época.

Caroline Lang, por sua vez, reconheceu não ter declarado a empresa conjunta às autoridades fiscais francesas, mas garantiu que não investiu fundos próprios e que não compreendeu, na altura, as implicações legais da sociedade.

A filha do ex-ministro surge também mencionada no testamento de Epstein, assinado pouco antes da sua morte, em 2019, no qual lhe eram prometidos cinco milhões de dólares. Caroline afirma nunca ter recebido esse valor e ter pedido posteriormente o encerramento da empresa.

Caso Epstein volta a abalar figuras públicas

A abertura do inquérito em França surge num contexto de renovada atenção internacional ao caso Jeffrey Epstein, após a divulgação de milhões de documentos judiciais nos Estados Unidos. As revelações têm implicado personalidades políticas, membros da realeza e dirigentes de instituições em vários países.

A investigação francesa encontra-se ainda numa fase preliminar e visa apurar eventuais responsabilidades criminais ligadas às transações financeiras agora reveladas.