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Depois do início da operação militar liderada pelos EUA e Israel contra o Irão, aquilo que se temia aconteceu: a retaliação do Irão chegou à União Europeia.
A primeira ameaça surgiu logo no segundo dia de conflito: a imprensa britânica anunciava explosões perto da base aérea britânica em Alrotiri, no Chipre. A ameaça tinha como base um pequeno drone que acabou por não fazer feridos, mas, por precaução, todos os que se encontravam na base receberam ordens para procurar abrigo e manter-se longe de janelas.
Horas antes, o secretário de Estado para a Defesa do Reino Unido, John Healey, tinha informado que dois mísseis iranianos na direção daquela mesma base militar tinham sido intercetados.
“As nossas forças armadas estão a reagir a um suposto ataque com drones à base da Royal Air Force em Akrotiri, em Chipre, ocorrido à meia-noite” (22h00 de domingo em Lisboa), disse um porta-voz do Ministério da Defesa, citado pelo The Independent. “O nosso dispositivo de proteção na região está no nível mais alto”, acrescentou.
Já na manhã desta segunda-feira, o alerta estendeu-se para a zona mais ocidental da ilha. Foi detetado um objeto suspeito na zona do aeroporto de Pafos, que levou à evacuação do segundo aeroporto mais movimentado do Chipre. Novamente na base atacada no domingo, foram intercetados ao início da tarde dois drones iranianos. A base voltou a ser evacuada.
“A segurança dos nossos funcionários e as suas famílias são, sem dúvida, a nossa prioridade. Como medida preventiva, estamos a retirar familiares que vivam na base de Akrotiri para instalações alternativas na ilha de Chipre. A nossa base e os nossos funcionários continuam a trabalhar como habitual para garantir a proteção do Reino Unido e dos nossos interesses”, lê-se num comunicado do ministério da Defesa britânico, citado pelo The Guardian.
As autoridades do Chipre mantêm o alerta. Várias escolas foram encerradas e algumas pessoas foram retiradas de locais considerados perigosos.
A Embaixada de Portugal no Chipre já emitiu um comunicado, onde desaconselha as viagens ao Médio Oriente. "Recomenda-se que os cidadãos portugueses na região redobrem o cuidado, que se mantenham em casa ou num local abrigado, evitando dentro do possível, deslocações ao exterior”, pode ler-se.
Recorde-se que o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, apesar de recusar o envolvimento do Reino Unido nas "ações ofensivas no Irão", deu permissão para que os EUA utilizassem as bases militares britânicas para atacar mísseis iranianos.
“Todos nos lembramos dos erros cometidos no Iraque e aprendemos com eles. (…) [Mas] o Irão ataca os interesses britânicos e coloca em grave perigo os seus cidadãos. (…) A única forma de pôr fim à ameaça é destruir os mísseis na fonte — nos depósitos de armazenamento ou nos lançadores que servem para disparar esses mísseis”, reforçou o primeiro-ministro britânico.