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Dois engenhos explosivos foram arremessados contra a residência oficial do presidente de Nova Iorque, Zohran Mamdani, após uma manifestação "anti-islâmica" no sábado. Agora, as autoridades de Nova Iorque e o FBI iniciaram uma investigação sobre aquilo que consideraram um "ato de terrorismo", de acordo com informação avançada pela BBC.
O incidente ocorreu após um grupo de manifestantes anti-islâmicos se ter reunido fora da "Gracie Mansion" e ter entrado em confronto com um grupo de contra-manifestantes.
As autoridades confirmaram esta segunda-feira a detenção de dois homens, Emir Balat, de 18 anos, e Ibrahim Kayumi, de 19, ambos da Pensilvânia, por suspeitas de ligação aos dispositivos.
Ao que tudo indica, os dispositivos são engenhos explosivos caseiros, feitos de garrafas de vidro com material explosivo, rodeadas por fragmentos de parafusos, com um pavio tipo fogo de artifício. Nenhum deles explodiu e o presidente não estava em casa na altura do incidente.
Os dispositivos “poderiam ter causado ferimentos graves ou morte”, disse a comissária da polícia de Nova Iorque, Jessica Tisch. “Fomos afortunados por os dispositivos utilizados este fim de semana não terem causado o tipo de danos que certamente eram capazes de causar”, disse Tisch numa conferência de imprensa esta segunda-feira. “Mas a sorte nunca é uma estratégia. Dispositivos como estes têm o potencial de causar danos devastadores.”
Foi ainda encontrado um carro no Upper East Side também ligado aos dois suspeitos, conclusões tiradas após as autoridades terem detetado “outro possível dispositivo suspeito e materiais dentro do carro compatíveis com os dois primeiros explosivos”.
O protesto anti-islâmico foi organizado por Jake Lang, um influenciador de extrema-direita. O grupo de contra-manifestantes teve ainda mais adesão, com mais de 100 participantes.
A polícia deteve ainda Ian McGuiness, de 21 anos, por suspeitas de ter usado spray de pimenta contra o grupo de contra-manifestantes.
Nas suas redes sociais, Mamdani classificou o protesto anti-islâmico como “enraizado no preconceito e racismo”, mas afirmou que o que se seguiu foi “ainda mais perturbador”. “A violência numa manifestação nunca é aceitável. A tentativa de usar um dispositivo explosivo e ferir outros não é apenas criminosa, é repreensível e a antítese de quem somos”, lamentou.
O presidente de Nova Iorque enalteceu ainda a eficácia das autoridades nova iorquinas. "Quero agradecer aos corajosos homens e mulheres do Departamento de Polícia de Nova Iorque (NYPD) que agiram rapidamente para manter os nova-iorquinos em segurança. Os nossos policiais correram em direção ao perigo sem hesitar, demonstrando mais uma vez a coragem e dedicação necessárias para proteger esta cidade todos os dias", escreveu.