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A rede social X (Twitter) é o principal canal utilizado para a disseminação de desinformação dirigida contra a União Europeia, segundo um relatório divulgado pelo Serviço Europeu de Ação Externa. O documento revela que os políticos são os alvos preferenciais destas campanhas.
De acordo com a análise, que incidiu sobre cerca de 43 mil conteúdos em 2025, 88% da desinformação circulou através do X, um valor muito superior ao registado noutras plataformas como o Telegram (3%) ou o Facebook (2%). A facilidade na criação de contas falsas, a existência de redes coordenadas e o acesso mais amplo a dados são apontados como fatores determinantes.
Apesar da predominância de uma única plataforma, o relatório sublinha que estas campanhas tendem a operar em simultâneo em vários canais, combinando redes sociais com aplicações de mensagens para ampliar o alcance e a credibilidade dos conteúdos.
Outro dado relevante prende-se com o uso crescente de inteligência artificial. O recurso a estas ferramentas disparou 259% face a 2024, permitindo acelerar a produção de conteúdos manipulados e reduzir custos operacionais. Segundo o documento, atores associados à Rússia e à China têm recorrido de forma intensiva a estas tecnologias.
No que diz respeito aos alvos, cerca de 66% dos ataques incidem sobre figuras políticas. Entre os mais visados estão o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, o chefe de Estado francês Emmanuel Macron, o chanceler alemão Friedrich Merz e a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen.
As campanhas procuram, sobretudo, atingir os valores e a representação simbólica destas figuras, tentando influenciar perceções públicas e explorar divisões sociais. Além dos políticos, também os meios de comunicação social e organizações ligadas à defesa e segurança surgem como alvos frequentes.
O relatório destaca ainda que períodos eleitorais, protestos e momentos de instabilidade social são particularmente explorados para amplificar mensagens de desinformação, muitas vezes com o objetivo de gerar medo, desconfiança e sensação de caos.
Ainda assim, o Serviço Europeu de Ação Externa alerta que os dados apresentados não esgotam a dimensão do fenómeno, já que a monitorização não cobre todas as geografias, línguas ou plataformas digitais.