quarta-feira, 13 mai. 2026

Rede de prostituição denunciada em Itália: investigação expõe envolvimento de figuras públicas e estrelas do desporto

O negócio que rendia milhões era simples: organizar festas para jogadores, com direito a jantar e noite num hotel, além da "droga do riso". Depois, eram "convocadas" as mulheres.
Rede de prostituição denunciada em Itália: investigação expõe envolvimento de figuras públicas e estrelas do desporto

Eram 100 raparigas, entre os 18 e os 20 anos, disponíveis para "serviços all inclusive" numa rede de prostituição desmantelada pela polícia italiana.

A investigação do jornal italiano La Repubblica revelou que dentro do esquema estavam jogadores de futebol, hóquei, figuras públicas, empresários e um piloto de Fórmula 1.

O esquema funcionava através de uma agência de eventos, a "Ma.De.Milano", aparentemente inocente: a empresa organizava eventos noturnos e hospedagens em hóteis de luxo em que os "serviços all inclusive" incluíam acompanhantes de luxo e doses de "droga do riso", não detetável nos testes antidoping, para facilitar a logística para os atletas de alta competição. De acordo com o processo, citado pelo jornal, "durante as noites, as jovens eram convidadas a ter relações sexuais".

No âmbito do processo judicial, foram apreendidos mais de 1,2 milhões de euros e detidas quatro pessoas, incluindo um casal suspeito de liderar o esquema. FIcaram em prisão domiciliária.

A agência que facilitava o esquema

"Ma.De.Milano" é uma empresa sediada em Cinisello Balsamo, em Milão, Itália. Era onde dois empresários, agora em prisão domiciliária, viva e liderava a rede de prostituição. Mesmo durante a quarentena, foi apurada a realização de várias festas numa discoteca ilegal.

Além destes, Emanuele Buttini, de 37 anos, e Deborah Ronchi, de 38, também um casal, faziam parte da organização, tendo publicado inúmeras fotos com jogadores e campeões de vários desportos, sobretudo futebolistas reconhecidos. Alessio Salamone e Amilton Fraga são os restantes membros do grupo.

Todos eles têm funções dentro da rede: os que organizam as noites, os que recrutam as acompanhantes de luxo, os que são motoristas e os guarda-costas.

O negócio que rendia milhões era simples: organizar festas para jogadores, com direito a jantar e noite num hotel, além da "droga do riso". Depois, eram "convocadas" as mulheres.

A obsessão era ter sempre acompanhantes disponíveis, de entre as cerca de 100 inseridas na rede.

De acordo com a investigação, jogadores chegavam a pagar cerca de três mil euros por uma noite: as "meninas", como são apelidadas as acompanhantes, ganhavam entre 70 e 100 euros.

Os famosos que usufruíram

Os nomes não foram revelados, mas as escutas judiciais denunciaram grande parte dos envolvidos. São dezenas de futebolistas da primeira divisão italiana, incluindo do AC Milan, do Inter Milan e da Juventus. Numa das escutas, pode ainda ouvir-se referências a um piloto de fórmula 1 e a jogadoresd e hóquei. "Tenho um amigo piloto de Fórmula 1 que vem a Milão esta noite e quer uma rapariga para sexo pago. Consegues arranjar?", ouve-se numa das chamadas, à qual alguém responde "Mando-lhe a brasileira".

Uma das últimas escutas registadas é de 16 de fevereiro, altura em que decorriam os Jogos Olímpicos de Inverno: "Também me deram o envelope porque tratei da mesa apra aqueles do hóquei", diz uma jovem.

O "super privado" dos famosos

Dentro do clube, havia uma "camada" apenas para os famosos, onde os "plebeus" não entravam. Era como um "clube dentro do clube", explica o jornal italiano. Para este tipo de clientes, eram recrutadas jovens de forma "esporádica", no máximo com 20 anos, para "os agradar". Normalmente eram cerca de 80 a 90 raparigas, que entravam por uma "porta secreta": era destes eventos que vinha grande parte da receita do "Ma.De.Milano"

O caso da mulher grávida

As escutas revelam que uma das acompanhantes terá ficado grávida. "Vou-te contar uma coisa, mas não contes a ninguém. Acabei de fazer um teste e estou grávida... há mais de três semanas. Então é de..." (o nome não é revelado).

De acordo com a investigação, os dois terão passado uma noite num hotel de cinco estrelas, com "gás do riso" para "satisfazer o cliente". Recorde-se que esse gás era utilizado para não ser detetado nos testes anti-doping.

A mulher que denunciou o esquema

O sistema foi denunciado há dois anos, em agosto, por uma jovem que contou sobre o sexo pago e sobre o que tinha vivido no apartamento onde, além de ser a sede da empresa, era onde ela e todas as outras raparigas viviam.

Explicou ainda que os organizadores da agência ficavam com 50% do valor pago pelos clientes e que exigiam que as raparigas lhes pagassem uma renda.

O lucro da agência

O processo judicial estima que o lucro feito pela agência tenha sido de 1,2 milhões de euros, sendo que poderá existir mais dinheiro em contas no estrangeiro. Cerca de 200 mil euros desses foram pagos por futebolistas.

A investigação refere-se ainda a Buttini, uma "estrela" nas redes sociais, que mostra um estilo de vida acima da média. "Não declarou rendimentos entre 2015 e 2023 e, em 2024, declarou pouco menos de 17 mil euros".

Buttini tem antecedentes por "crimes contra o património" e está a ser investigado por "extorsão e sequestro".

A investigação prossegue, com vários nomes ainda por descobrir envolvidos neste esquema italiano de prostituição.