quinta-feira, 11 jun. 2026

Rafa Mir julgado por agressão sexual de jovem de 21 anos em Valência. Vítima relata em tribunal o que aconteceu naquela noite

Em causa estão as denúncias de duas jovens que terão conhecido os alegados agressores numa noite numa discoteca em Valência.
Rafa Mir julgado por agressão sexual de jovem de 21 anos em Valência. Vítima relata em tribunal o que aconteceu naquela noite

Rafa Mir e Pablo Jara, dois jogadores de futebol, estiveram esta quinta-feira a ser julgados por agressão sexual no Tribunal Provincial de Valência, em Espanha.

Em causa estão as denúncias de duas jovens que terão conhecido os alegados agressores numa noite numa discoteca em Valência.

A vítima que acusa Mir contou tudo o que aconteceu naquela noite ao tribunal. Tudo começou na noite de 31 de agosto para 1 de setembro de 2024, na discoteca Mya. Conheceram os dois amigos, mas nenhuma delas sabia quem era Rafa Mir, garante a rapariga, que admite ter "dado alguns beijos" ainda na discoteca ao futebolista espanhol

Já depois do fecho da discoteca, Mir convidou-as a seguirem com eles para sua casa. "Disse-me se nos apetecia ir com ele e os amigos para casa, que tinha piscina, bolo de aniversário... Propôs que ficássemos para tomar o pequeno-almoço e dissemos que era perfeito", relatou, citada pelo jornal espanhol El País.

Dirigiram-se para casa num táxi, onde a rapariga discutiu com o jogador: "Pareceu-me estranho ele estar a tentar seduzir-nos às duas, principalmente à minha frente. Foi incómodo", recordou.

Quando chegaram a casa, de acordo com a vítima e a acusação do Ministério Fiscal, Mir teve relações sexuais com consentimento com outra rapariga, enquanto a vítima estava no exterior da casa. Quando voltou para junto dela, quis atirá-la à piscina, embora esta tivesse recusado por "estar com frio". Foi dentro de água que o jogador terá introduzido os dedos pela primeira vez na vagina da rapariga.

Depois disso, conta, quis ir-se embora, mas teve de voltar por conta do esquecimento da sua mala. Foi no regresso que o jogador a terá empurrado para dentro da casa de banho. "Ele repetiu o mesmo que na piscina, fiquei alterada e comecei a chorar. Pedi-lhe que parasse, que me deixasse, que queria ir embora. Voltou a beijar-me e a meter-me os dedos. Custava-me respirar e falar", conta ao juíz.

Quanto à amiga, conta que também foi vítima de agressão sexual quando Pablo Jara se tentou aproximar dela e tocar-lhe nas partes íntimas enquanto estava na piscina. Revela ainda que não se apercebeu de nada do que se tinha passado com a amiga até esta lhe contar.

Quando as duas raparigas conseguiram sair da casa, Jara terá empurrado as duas e dado um soco numa delas. "Vocês são umas pitas, malucas", gritou-lhes.

Pouco depois, chegou a segurança da urbanização e as autoridades locais. A jovem agredida por Mir conta que enquanto conversava com um agente de autoridade, outros polícias estavam "a rir-se" com os jogadores. Em tribunal, testemunhou também o pai de uma das raparigas, que contou que viu a filha "a hiperventilar, molhada e bloqueada".

O Ministério Fiscal solicita uma pena de 10 anos e meio de prisão para Rafa Mir, sendo que a defesa pede a absolvição do jogador por alegar que "as relações sexuais foram consentidas". Já para o amigo de Rafa Mir, o Ministério defende uma pena de três anos de prisão por agressão sexual.

A acusação destaca ainda que uma das jovens saiu da casa com hematomas, enquanto a outra sofreu um trauma psicológico que terá levado 180 dias para recuperar.