quinta-feira, 05 mar. 2026

Queniano acusado de recrutar jovens para combater ao lado da Rússia na Ucrânia

Desde o início da invasão russa, a 24 de fevereiro de 2022, tem sido reportada a presença de centenas de africanos a combater ao lado russo
Queniano acusado de recrutar jovens para combater ao lado da Rússia na Ucrânia

Um homem de 33 anos foi acusado de tráfico de seres humanos no Quénia por alegadamente recrutar jovens quenianos para lutarem ao lado do exército russo na guerra da Ucrânia.

O suspeito compareceu esta quinta-feira perante um tribubnal em Nairobi, onde foi acusado de “recrutar 22 jovens quenianos para a Rússia para os explorar através do engano”. Declarou-se inocente.

A detenção ocorreu a 2 de outubro, em Moyale, no norte do país, num contexto de crescentes denúncias sobre o recrutamento de africanos para as fileiras russas.

22 vítimas resgatadas

Segundo o Ministério Público, 22 alegadas vítimas de tráfico humano foram resgatadas a 24 de setembro de 2025 em Athi River, a cerca de 30 quilómetros de Nairobi. O procurador adiantou ainda que outras três pessoas que já tinham viajado para a Rússia terão combatido na linha da frente da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, regressando com ferimentos.

As autoridades acreditam que o homem integra uma rede mais ampla de tráfico de pessoas que promete oportunidades de emprego na Europa a cidadãos vulneráveis, acabando estes envolvidos em “trabalhos ilegais e perigosos”. O suspeito é apontado como diretor da empresa Global Face Human Resources.

Mil quenianos alegadamente recrutados

De acordo com um relatório do Serviço Nacional de Inteligência do Quénia (NIS), apresentado ao parlamento na semana passada, pelo menos mil cidadãos quenianos terão sido recrutados pela Rússia para combater na Ucrânia. Moscovo negou envolvimento nestas práticas.

Desde o início da invasão russa, a 24 de fevereiro de 2022, tem sido reportada a presença de centenas de africanos a combater ao lado russo. Embora alguns atuem voluntariamente como mercenários, outros denunciam engano e coação.

Dados divulgados este mês pela INPACT indicam que 1.417 africanos terão sido recrutados pela Rússia, incluindo pelo menos dois cidadãos angolanos. Segundo a ONG, foram ainda recrutadas 45 pessoas no Quénia, 32 na África do Sul, 56 na Argélia, 15 no Benim e 19 no Burundi.

Os Camarões lideram a lista com 335 recrutados, seguidos do Egito com 361. Outros países mencionados incluem Chade, Costa do Marfim, Etiópia, Gana, Líbia, Mali, Marrocos, Nigéria, Senegal, Somália e Sudão, entre vários outros.

A ofensiva militar russa contra a Ucrânia mergulhou a Europa na mais grave crise de segurança desde a Segunda Guerra Mundial

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