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Quatro agentes do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminais (CICPC) foram detidos na Venezuela por alegadamente se terem apropriado de bens e valores encontrados entre os escombros dos edifícios destruídos pelos fortes sismos que atingiram o estado de La Guaira, o mais afetado pela tragédia da semana passada.
Segundo um comunicado oficial divulgado esta terça-feira, os polícias foram expulsos da corporação e serão presentes a tribunal para responder pelos alegados crimes.
O diretor do CICPC, Douglas Rico, acusou os agentes de terem desrespeitado os seus deveres durante as operações de busca e salvamento.
"Estes funcionários, desviando-se dos seus deveres e aproveitando-se das operações de resgate e assistência humanitária, atuaram de forma indecorosa ao apropriar-se de valores económicos encontrados entre os escombros", afirmou.
O caso ganhou grande visibilidade depois de vários vídeos partilhados nas redes sociais mostrarem populares a confrontar um dos agentes. Nas imagens, cidadãos indignados retiram-lhe notas de dólar que alegadamente transportava e rasgam-nas enquanto o apelidam de "vergonha".
Também o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, condenou a atuação dos elementos da polícia, classificando os alegados atos como "impúdicos, indecentes e imorais".
Numa mensagem publicada na plataforma Telegram, o governante garantiu que os quatro agentes serão julgados nos termos da lei e prometeu uma resposta firme contra qualquer abuso cometido por membros das forças de segurança.
"Seremos totalmente intolerantes com aqueles que, fazendo uso do seu uniforme, cometam atos contra a moral e os bons costumes. Seremos ainda mais severos quando alguém tentar aproveitar-se de uma tragédia desta dimensão para beneficiar da dor e dos bens alheios", afirmou.
Entretanto, o partido da oposição Primero Justicia acusou elementos ligados ao regime venezuelano de aproveitarem a situação de emergência para obter vantagens pessoais.
Segundo a força política, em vez de cumprirem a missão de proteger a população, alguns funcionários estariam "à procura entre os escombros de formas de enriquecer com a tragédia".
Sobe para 1.943 o número de mortos
As detenções acontecem numa altura em que continua a aumentar o balanço humano dos sismos que atingiram a região norte da Venezuela na passada quarta-feira.
De acordo com os dados mais recentes divulgados pelas autoridades venezuelanas, o número de vítimas mortais subiu para 1.943, enquanto os feridos ascendem a 10.571, tornando este um dos desastres naturais mais devastadores da história recente do país.
As equipas de emergência prosseguem as operações de busca e salvamento nas zonas mais afetadas, enquanto milhares de pessoas permanecem desalojadas e dependentes de ajuda humanitária.