quinta-feira, 10 set. 2026

Quatro pessoas dadas como desaparecidas são encontradas mortas na ilha de Jeju na Coreia do Sul

A sequência de casos surge numa altura em que as autoridades investigam um agente da polícia suspeito de ter encerrado falsamente centenas de processos de pessoas desaparecidas.
Quatro pessoas dadas como desaparecidas são encontradas mortas na ilha de Jeju na Coreia do Sul

A descoberta de quatro corpos pertencentes a pessoas que tinham sido dadas como desaparecidas está a causar preocupação na ilha sul-coreana de Jeju, depois de os casos terem ocorrido num intervalo de apenas três dias.

Entre 22 e 24 de agosto, as autoridades localizaram quatro pessoas mortas em diferentes pontos da ilha. As vítimas eram homens e uma mulher, com idades que vão dos 30 aos 70 anos.

A sucessão de casos ganhou ainda maior dimensão devido a uma investigação paralela sobre um agente da polícia acusado de encerrar falsamente processos de desaparecimento, incluindo alguns dos casos agora relacionados com as vítimas encontradas.

Apesar da coincidência temporal, não existe, até ao momento, qualquer evidência pública de que as quatro mortes estejam relacionadas entre si ou resultem de uma ação criminosa comum.

Dois corpos encontrados na segunda-feira

Na manhã do dia de ontem, 24 de agosto, foram encontradas duas pessoas mortas.

Por volta das 09h35, as autoridades localizaram o corpo de uma pessoa que tinha sido anteriormente dada como desaparecida, numa zona próxima de um vale em Aewol-eup, em Jeju City.

Cerca de uma hora mais tarde, às 10h46, foi encontrado outro corpo numa zona florestal próxima do alojamento onde vivia temporariamente uma mulher de 37 anos, Jang Mi-ran.

Jang tinha desaparecido em maio. O corpo foi inicialmente tratado pelas autoridades como sendo presumivelmente o da mulher e, entretanto, a polícia confirmou a sua identidade através dos procedimentos de investigação.

O local onde foi encontrada ficava a cerca de um quilómetro do alojamento onde tinha permanecido antes do desaparecimento.

Quarto corpo foi encontrado no mar

O quarto caso ocorreu no dia 23 de agosto, quando um pescador encontrou o corpo de um homem que se acredita ter cerca de 70 anos a flutuar no mar, junto a Sinheung-ri, em Jocheon-eup, Jeju City.

O alerta foi dado por volta das 15h00. As autoridades marítimas confirmaram posteriormente que o homem tinha sido dado como desaparecido no dia anterior.

A Guarda Costeira de Jeju está a investigar as circunstâncias da morte.

Primeiro caso surgiu no sábado

De acordo com o Korea Joongang Daily, a sequência começou no dia 22 de agosto, quando um homem na casa dos 60 anos foi encontrado morto em Songdang-ri, em Gujwa-eup.

O homem tinha sido dado como desaparecido no dia 2 de julho. Segundo a imprensa sul-coreana, a família voltou a apresentar uma denúncia a 21 de agosto, depois de não ter conseguido obter respostas satisfatórias sobre o paradeiro do familiar.

As autoridades descobriram posteriormente que o mesmo agente que estava envolvido noutro processo de desaparecimento tinha também tratado este caso de forma irregular.

Assim, apesar de as descobertas terem ocorrido em locais e circunstâncias diferentes, todas as quatro pessoas tinham sido anteriormente dadas como desaparecidas.

Agente da polícia no centro de outra investigação

A sucessão de mortes tornou-se particularmente sensível devido à descoberta de irregularidades no tratamento de processos de desaparecimento pela polícia local.

Um agente está a ser investigado por alegadamente ter encerrado falsamente processos de pessoas desaparecidas, incluindo o caso de Jang Mi-ran, a mulher de 37 anos.

Segundo a investigação, o agente terá indicado que tinha estabelecido contacto com pessoas dadas como desaparecidas, e que estas estariam bem. Num dos casos, terá mesmo eliminado informação do sistema policial utilizado para acompanhar pessoas desaparecidas.

O caso de Jang só voltou a ser investigado depois de a família apresentar uma nova denúncia, levando as autoridades a retomarem as buscas.

O agente chegou a ser detido, mas o tribunal considerou posteriormente que essa detenção não cumpria os requisitos legais e ordenou a sua libertação. Contudo, a investigação prosseguiu e um novo mandado de detenção foi entretanto emitido.

Quase 300 processos estão sob análise

As suspeitas não se limitam aos casos das pessoas encontradas mortas.

As autoridades estão a analisar 298 processos de pessoas desaparecidas que terão sido encerrados pelo mesmo agente, enquanto procuram determinar se houve outras situações em que os procedimentos policiais foram falsificados ou realizados de forma irregular.

Quatro superiores da esquadra de Jeju Seobu foram entretanto afastados das funções enquanto decorre a investigação interna.

O caso provocou também críticas à atuação das forças de segurança e levou o Presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, a defender a criação de medidas de autorreforma e uma reestruturação fundamental nos procedimentos de investigação de desaparecimentos.