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Passam quatro anos desde que a Rússia lançou a invasão em larga escala da Ucrânia, a 24 de fevereiro de 2022, desencadeando o maior conflito armado em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial. Mas, na data que assinala o início da ofensiva ordenada por Vladimir Putin, o Presidente ucraniano garante que Moscovo não conseguiu vencer.
Numa mensagem em vídeo gravada no bunker do gabinete presidencial, Volodymyr Zelensky foi taxativo: "Putin não alcançou os seus objetivos. Não quebrou o povo ucraniano. Não ganhou esta guerra".
Today marks exactly four years since Putin started his three-day push to take Kyiv. And that says a great deal about our resistance, about how Ukraine has fought all this time. Behind those words stand millions of our people, immense courage, incredibly hard work, endurance, and… pic.twitter.com/9qiqACurhx
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) February 24, 2026
O chefe de Estado assegura que o país resistiu ao choque inicial da invasão e mantém o foco na estabilidade futura. "Preservámos a Ucrânia e tudo faremos para alcançar a paz e para que a justiça seja feita. Queremos paz, uma paz forte, digna e duradoura", afirmou.
“Precisava de armas, não de um táxi”
Zelensky recordou ainda a conversa telefónica que manteve, nas primeiras horas da invasão, com o então Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.
Segundo relatou, ouviu o aviso de que corria perigo e deveria abandonar o país. A resposta tornou-se simbólica da resistência ucraniana: "Falei com o Presidente Biden aqui, e também o ouvi dizer: 'Volodymyr, há perigo, precisas de sair da Ucrânia urgentemente. Estamos prontos para te ajudar com isso'. E eu respondi que precisava de armas, não de um táxi".
União Europeia dividida quatro anos depois
A data é assinalada em Kiev com a presença do presidente do Conselho Europeu, António Costa, e da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Ambos participam nas cerimónias oficiais e reúnem-se com Zelensky.
Ao contrário do ano anterior, não são esperados grandes anúncios financeiros. A visita surge num momento delicado, depois de a Hungria ter bloqueado a aprovação do 20.º pacote de sanções contra Moscovo.
Também em Bruxelas, o Parlamento Europeu realiza uma sessão plenária extraordinária com intervenção, por vídeo, de Zelensky, seguida de debate e votação de uma resolução sobre o apoio europeu à Ucrânia.
A NATO assinala igualmente a data com uma cerimónia no seu quartel-general, onde o secretário-geral, Mark Rutte, fará declarações.
Quase 195 mil milhões de euros mobilizados
Segundo dados divulgados por Bruxelas, a União Europeia já disponibilizou 194,9 mil milhões de euros à Ucrânia desde o início da invasão: 104,5 mil milhões em ajuda humanitária e orçamental, 69,7 mil milhões em apoio militar, 17 mil milhões para acolhimento de refugiados e 3,7 mil milhões provenientes de ativos russos congelados.
Quatro anos depois do início da guerra, o conflito mantém-se ativo e sem solução à vista — mas Kiev insiste que a resistência impediu Moscovo de cumprir o plano inicial.