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Uma intervenção pública de um líder religioso ligado à Assembleia de Deus de São Paulo provocou forte reação nas redes sociais e no meio político brasileiro, depois de ter dirigido palavras consideradas "ofensivas" e "agressivas" a participantes de um desfile carnavalesco no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.
Em causa está a apresentação da escola de samba Académicos de Niterói, que levou à avenida um enredo centrado na trajetória política de Lula da Silva, presente no local durante o desfile. A performance incluiu referências críticas a setores evangélicos, o que desencadeou contestação por parte de alguns líderes religiosos.
Durante um culto realizado em São Paulo, Elias Cardoso, dirigente da Assembleia de Deus Ministério de Perus, afirmou que os participantes no desfile seriam alvo de castigo divino. “Deus vai responder a todos que imitaram e ridicularizaram a nossa igreja, que tripudiaram em cima da nossa Fé. Quando essas pessoas estiverem com cancro na garganta, elas vão lembrar-se com quem mexeram”, declarou perante os fiéis. O dirigente repetiu várias vezes que seria "Deus a responder" às alegadas provocações contra a igreja.
"A igreja não tem adúlteros, não tem fumadores, não tem drogados, não tem prostitutos, mas colocaram a mão na igreja e Deus vai responder", continua.
As palavras do pastor foram amplamente criticadas por associações civis e por representantes religiosos, que consideraram o discurso inadequado e "incompatível com princípios de tolerância e respeito".
O desfile, que destacou a carreira política de Lula, apresentou representações satíricas do movimento evangélico, incluindo figuras associadas a latas de conserva, o que foi interpretado por muitos fiéis como ofensivo. A abordagem gerou desconforto até dentro de setores próximos ao ex-presidente, que classificaram o episódio como um "erro estratégico" num momento em que se tentavam reforçar pontes com comunidades religiosas.
Além disso, a apresentação incluiu uma caricatura do ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado como palhaço, o que contribuiu para acentuar o tom político do espetáculo.
Outro ponto de controvérsia foi o comportamento do próprio homenageado. Contrariando o planeado, Lula da Silva terá abandonado o camarote oficial para cumprimentar integrantes da escola durante o desfile, num gesto interpretado como eleitoral. A presença de seguranças e assessores na pista acabou por interferir na evolução da apresentação, situação que poderá resultar em penalizações na avaliação final da escola.