Relacionados
O Presidente russo, Vladimir Putin, rejeitou esta sexta-feira a proposta do homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, para um encontro bilateral, considerando que uma reunião entre ambos não faz sentido antes de existir um acordo de paz preparado para ser assinado.
Durante uma intervenção no Fórum Económico Internacional de São Petersburgo, Putin afirmou que as negociações devem continuar a ser conduzidas pelas equipas técnicas e diplomáticas dos dois países.
"Não vejo o interesse de um encontro. Isso só tem interesse para a parte ucraniana, a fim de travar o avanço das nossas forças armadas", declarou o chefe de Estado russo. "É necessário deixar os especialistas trabalharem, desenvolverem soluções e, depois, poderemos encontrar-nos", acrescentou.
Putin aproveitou ainda para reafirmar que o fim da guerra depende do cumprimento dos objetivos estratégicos definidos por Moscovo desde o início da invasão da Ucrânia.
"Partimos do princípio de que as hostilidades vão terminar um dia. E, sem dúvida, vão cessar quando tivermos alcançado os objetivos que nos propusemos", afirmou.
As declarações surgem um dia depois de Zelensky ter divulgado uma carta aberta dirigida diretamente ao Presidente russo, a primeira mensagem pública deste género desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.
Na carta, o líder ucraniano apelou a um encontro direto entre os dois chefes de Estado e criticou os mais de 26 anos de Vladimir Putin no poder, defendendo a necessidade de encontrar uma solução para o conflito.
O Presidente russo classificou a mensagem como "grosseira" e questionou a intenção de Kiev ao propor um encontro num momento em que continuam os combates no terreno.
Putin referiu-se ainda a um ataque com drones ocorrido a 22 de maio contra uma residência estudantil na região de Lugansk, território controlado pela Rússia, que, segundo Moscovo, provocou 21 mortos e dezenas de feridos.
"Será uma forma de criar condições para encontros pessoais e conversações ou de criar um ambiente que torne impossível qualquer encontro pessoal?", questionou o líder russo, concluindo que acredita na segunda hipótese.
Na carta aberta, Zelensky reconheceu também que a atenção dos Estados Unidos está atualmente dividida por outras crises internacionais, nomeadamente o conflito envolvendo o Irão, defendendo que Kiev não pode ficar dependente de uma eventual mudança de prioridades da administração norte-americana.
Em Washington, o Presidente dos EUA manifestou apoio à realização de uma reunião entre os líderes dos dois países. "Seria ótimo", afirmou Donald Trump, citado pela imprensa norte-americana.
Apesar da recusa atual, Putin recordou que já admitiu anteriormente a possibilidade de um encontro com Zelensky num país terceiro, mas apenas quando existir um acordo final pronto para assinatura.
O líder russo voltou igualmente a rejeitar a exigência ucraniana para um cessar-fogo imediato, argumentando que Moscovo procura uma solução duradoura para o conflito e não uma suspensão temporária dos combates.
Segundo Putin, a Rússia continua disponível para alcançar um compromisso com a Ucrânia com base nos entendimentos discutidos durante a cimeira realizada no ano passado em Anchorage, no Alasca, envolvendo representantes russos e norte-americanos.
"Naturalmente, a parte ucraniana gostaria que suspendêssemos os avanços das tropas russas. Mas seria melhor acabar com a guerra através da aceitação dos compromissos discutidos em Anchorage", afirmou.
As declarações evidenciam que as posições entre Moscovo e Kiev continuam profundamente distantes, numa altura em que a guerra entra no seu quinto ano sem perspetivas imediatas de um acordo de paz.