segunda-feira, 09 fev. 2026

Putin classifica guerra na Ucrânia como “missão sagrada” durante missa de Natal ortodoxa

O chefe de Estado russo assistiu à cerimónia rodeado por soldados e militares fardados, acompanhados pelas respetivas famílias
Putin classifica guerra na Ucrânia como “missão sagrada” durante missa de Natal ortodoxa

O presidente russo, Vladimir Putin, voltou a recorrer à religião para legitimar a guerra contra a Ucrânia, classificando o conflito como uma “missão sagrada” de defesa da pátria. As declarações foram feitas durante a missa de Natal ortodoxa — celebrada na Rússia a 7 de janeiro — numa igreja em Moscovo.

Num breve discurso dirigido à nação, Putin destacou os valores da união, da caridade e do apoio às Forças Armadas russas, numa altura em que a ofensiva militar contra a Ucrânia está prestes a completar quatro anos.

O chefe de Estado russo assistiu à cerimónia rodeado por soldados e militares fardados, acompanhados pelas respetivas famílias. Putin destacou-se entre os presentes ao surgir sem gravata, uma escolha pouco habitual no seu vestuário público.

“Muitas vezes chamamos a Cristo ‘O Salvador’, porque desceu à terra para salvar o seu povo”, afirmou Putin. “Os guerreiros russos, como se comandados pelo Senhor, cumprem sempre esta missão de defender a sua terra natal e os seus cidadãos, de salvar a pátria e o seu povo”, acrescentou.

Segundo o presidente russo, esta visão dos militares como instrumentos de uma missão divina está enraizada na história do país. “Desde sempre que, na Rússia, é assim que as pessoas têm olhado para os seus guerreiros — como aqueles que, comandados pelo Senhor, levam a cabo esta missão sagrada”, concluiu.

O discurso surge num contexto em que o Kremlin tem reforçado a narrativa de que a invasão da Ucrânia constitui uma missão nacional, apoiando-se no patriotismo e na Igreja Ortodoxa Russa para justificar o prolongamento do conflito.

Negociações de paz avançam, mas permanecem impasses

No plano diplomático, os EUA e a Ucrânia mantêm um discurso de cauteloso otimismo quanto às negociações de paz. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou recentemente que um eventual acordo está “90% pronto”.

“O acordo de paz está 90% pronto. Faltam 10%. (…) Estes 10% contêm tudo, na verdade. São estes 10% que vão determinar o destino da paz, o destino da Ucrânia e da Europa”, declarou Zelensky numa mensagem em vídeo publicada na rede social Telegram.

Apesar disso, o líder ucraniano sublinhou que Kiev pretende pôr fim à guerra, mas não “a qualquer preço”, defendendo que qualquer acordo deve incluir garantias de segurança robustas para evitar uma nova ofensiva russa.

O principal ponto de discórdia continua a ser a questão territorial, em particular a região do Donbass, no leste da Ucrânia. Moscovo insiste na anexação da zona industrial, enquanto Kiev rejeita qualquer cedência territorial.

Zelensky exige garantias de segurança vinculativas

Esta quarta-feira, Zelensky admitiu que ainda não obteve respostas claras dos aliados europeus sobre a forma como reagiriam a um novo ataque russo após um eventual acordo de paz.

“É uma questão muito difícil (…). E é exatamente a pergunta que tenho feito a todos os nossos parceiros. Até agora, não recebi uma resposta clara e inequívoca”, afirmou aos jornalistas, um dia depois de uma cimeira em Paris, onde a Ucrânia recebeu promessas de apoio do Ocidente.

O Presidente ucraniano reconheceu a existência de “vontade política” entre os aliados para fornecer “garantias de segurança sólidas”, mas defendeu que estas devem ser juridicamente vinculativas e aprovadas pelos parlamentos nacionais, incluindo o Congresso dos Estados Unidos.

Zelensky afirmou ainda que a Ucrânia precisa de manter um exército com cerca de 800 mil soldados — um efetivo superior ao dos exércitos francês e britânico juntos — e estar equipada com armamento adequado.

“É importante que nos esforcemos para garantir o financiamento de tudo isto”, sublinhou o chefe de Estado, num momento em que o país depende em grande parte do apoio financeiro e militar europeu.