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A Rússia assinalou este sábado o Dia da Vitória com uma cerimónia carregada de simbolismo na Praça Vermelha, em Moscovo, mas marcada por uma ausência inédita nos últimos anos: não houve exibição de armamento militar pesado.
A celebração, que recorda a derrota da Alemanha nazi na Segunda Guerra Mundial, aconteceu num contexto particularmente sensível, dominado pela guerra na Ucrânia e por um cessar-fogo temporário de três dias anunciado nos últimos dias.
Desfile sem armamento pesado marca cerimónia
Pela primeira vez em cerca de duas décadas, o tradicional desfile decorreu sem tanques, mísseis ou outros equipamentos militares habitualmente exibidos nesta data.
A ausência foi interpretada como um sinal das atuais preocupações de segurança, numa altura em que as autoridades russas continuam a recear possíveis ataques em território nacional.
A cerimónia arrancou com a marcha do Regimento de Preobrazhensky, responsável por transportar a bandeira russa e a histórica Bandeira da Vitória, o estandarte soviético erguido sobre o Reichstag, em Berlim, em maio de 1945.
Seguiu-se a habitual revista às tropas, conduzida pelo ministro da Defesa, Andrey Belousov, acompanhado pelo chefe do Estado-Maior, Andrey Mordvichev.
Putin volta a justificar ofensiva na Ucrânia
No discurso oficial, Vladimir Putin estabeleceu uma ligação direta entre o combate da União Soviética contra o nazismo e a atual ofensiva militar russa em território ucraniano.
O presidente russo classificou o conflito como uma guerra apoiada pela NATO e afirmou que a Rússia enfrenta uma força agressiva apoiada pela aliança ocidental.
Perante milhares de militares e convidados, Putin insistiu ainda que a campanha militar em curso representa, nas suas palavras, “uma causa justa”.
Presença internacional mais reduzida
As comemorações deste ano contaram com uma participação internacional bastante mais limitada do que em edições anteriores.
Entre os representantes estrangeiros presentes estiveram dirigentes do Laos, da Malásia e da Bielorrússia.
O Kremlin manteve também a indicação de que o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, estaria presente, apesar de declarações anteriores do próprio a afastarem essa possibilidade.
Emissão interrompida para conteúdos sobre a guerra
Durante a transmissão oficial do desfile, a emissão televisiva em direto foi interrompida para dar lugar a conteúdos relacionados com a invasão da Ucrânia.
Nos canais estatais foram exibidas imagens de combate e testemunhos de militares envolvidos na chamada operação militar especial, numa tentativa de aproximar os soldados atualmente mobilizados da memória dos combatentes soviéticos da Segunda Guerra Mundial.
A interrupção da emissão reforçou as críticas de observadores internacionais e de meios independentes, que acusam o Kremlin de recorrer ao peso histórico da vitória sobre o nazismo para legitimar a guerra em curso.