Putin aprova lei que perdoa dívidas a russos que aceitem combater na Ucrânia

O Presidente russo assinou uma nova lei que perdoa dívidas até 120 mil euros a cidadãos que aceitem integrar o exército e participar na guerra da Ucrânia

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou uma nova lei que prevê o perdão de dívidas financeiras a cidadãos que aceitem participar na guerra na Ucrânia, numa tentativa de reforçar o recrutamento militar para o conflito iniciado em 2022.

Segundo a nova legislação, poderão ser anuladas dívidas até 10 milhões de rublos — cerca de 120 mil euros ao câmbio atual — para quem assinar contratos com as forças armadas russas a partir de 1 de maio de 2026.

A medida aplica-se apenas a dívidas que já estejam em fase de cobrança judicial e pode também abranger os cônjuges dos militares recrutados.

Os contratos deverão ter duração mínima de um ano e implicam participação na chamada “operação militar especial”, expressão utilizada pelo Kremlin para designar a invasão da Ucrânia.

Desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, Moscovo tem recorrido a incentivos financeiros, salários elevados e benefícios sociais para aumentar o número de combatentes, evitando uma mobilização generalizada da população.

Além dos apoios económicos, o Kremlin tem promovido programas de integração social e profissional para militares regressados da frente de combate, procurando colocá-los em posições de destaque na administração e em empresas russas.

A guerra desencadeada pela invasão ordenada por Putin transformou-se no maior conflito militar na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, provocando dezenas de milhares de mortos, destruição em larga escala e milhões de deslocados e refugiados.

Para encerrar o conflito, Moscovo exige, entre outras condições, o reconhecimento internacional da soberania russa sobre cinco regiões ucranianas ocupadas e garantias formais de que a Ucrânia nunca integrará a NATO.

Kyiv rejeita essas exigências e insiste na retirada total das tropas russas, incluindo da Crimeia, defendendo também garantias internacionais de segurança contra futuras agressões russas.

A Ucrânia continua a receber apoio militar e financeiro dos aliados ocidentais para resistir à invasão russa.