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O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, terá trocado mensagens com uma pessoa que se fazia passar por Susie Wiles, chefe de gabinete do Presidente norte-americano, Donald Trump, revelou o Politico, citando quatro fontes familiarizadas com o caso.
A troca de mensagens terá ocorrido depois de Burnham assumir o cargo de primeiro-ministro, a 20 de julho, e antes de o governante se aperceber de que o contacto poderia não ser legítimo.
Questionado sobre o caso, Downing Street recusou comentar. “Não comentamos assuntos de segurança nacional”, afirmou um porta-voz do Governo britânico.
Uma fonte citada pelo Politico garantiu, contudo, que foram trocadas apenas “algumas mensagens” e que estas “não tinham importância”.
Embaixada britânica comunicou caso à Casa Branca
O incidente terá sido considerado suficientemente preocupante para ser comunicado pela embaixada britânica em Washington à Casa Branca, segundo duas fontes citadas pelo Politico.
No Governo britânico terá existido inicialmente o receio de que o telemóvel de Susie Wiles tivesse sido novamente comprometido. Um responsável da Casa Branca afastou, porém, essa possibilidade.
“Este incidente não teve nada a ver com os dispositivos da chefe de gabinete terem sido pirateados”, afirmou o funcionário norte-americano, citado pela imprensa britânica.
Não foi divulgado o conteúdo das mensagens trocadas entre Burnham e a pessoa que se fazia passar por Wiles, nem foi esclarecido quando exatamente ocorreram as comunicações ou qual a plataforma utilizada.
Fontes governamentais indicaram que as mensagens foram rapidamente comunicadas às autoridades competentes assim que o contacto foi considerado suspeito.
Susie Wiles já tinha sido alvo de uma burla semelhante
O caso surge mais de um ano depois de as autoridades norte-americanas terem investigado uma situação semelhante envolvendo Susie Wiles.
Em 2025, a Casa Branca e o FBI abriram uma investigação depois de senadores, governadores e empresários norte-americanos terem recebido mensagens e chamadas de alguém que se apresentava como chefe de gabinete de Donald Trump.
O Wall Street Journal noticiou posteriormente que Wiles tinha informado pessoas próximas de que os contactos do seu telemóvel pessoal tinham sido pirateados. O acesso aos contactos terá permitido aos autores da tentativa de se fazerem passar por ela perante outras figuras de topo da política e dos negócios norte-americanos.
A própria Wiles foi também alvo, em 2024, de uma tentativa de ciberespionagem atribuída a uma unidade associada à Guarda Revolucionária iraniana.
Burnham chegou a Downing Street em julho
Andy Burnham tornou-se primeiro-ministro britânico a 20 de julho de 2026, sucedendo a Keir Starmer.
A ascensão ao cargo ficou praticamente definida após a vitória de Burnham nas eleições intercalares de Makerfield, em 18 de junho.
O caso agora revelado ocorre num contexto de crescente preocupação com ataques de engenharia social e tentativas de falsificação de identidade dirigidas a figuras políticas de alto nível.