quarta-feira, 09 set. 2026

Primeiro-ministro britânico troca mensagens com falso chefe de gabinete de Trump

O primeiro-ministro britânico Andy Burnham terá trocado mensagens com uma pessoa que se fazia passar por Susie Wiles, chefe de gabinete de Donald Trump. O caso foi comunicado à Casa Branca, que garante não estar relacionado com uma nova pirataria do telemóvel de Wiles.
Primeiro-ministro britânico troca mensagens com falso chefe de gabinete de Trump

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, terá trocado mensagens com uma pessoa que se fazia passar por Susie Wiles, chefe de gabinete do Presidente norte-americano, Donald Trump, revelou o Politico, citando quatro fontes familiarizadas com o caso.

A troca de mensagens terá ocorrido depois de Burnham assumir o cargo de primeiro-ministro, a 20 de julho, e antes de o governante se aperceber de que o contacto poderia não ser legítimo.

Questionado sobre o caso, Downing Street recusou comentar. “Não comentamos assuntos de segurança nacional”, afirmou um porta-voz do Governo britânico.

Uma fonte citada pelo Politico garantiu, contudo, que foram trocadas apenas “algumas mensagens” e que estas “não tinham importância”.

Embaixada britânica comunicou caso à Casa Branca

O incidente terá sido considerado suficientemente preocupante para ser comunicado pela embaixada britânica em Washington à Casa Branca, segundo duas fontes citadas pelo Politico.

No Governo britânico terá existido inicialmente o receio de que o telemóvel de Susie Wiles tivesse sido novamente comprometido. Um responsável da Casa Branca afastou, porém, essa possibilidade.

Este incidente não teve nada a ver com os dispositivos da chefe de gabinete terem sido pirateados”, afirmou o funcionário norte-americano, citado pela imprensa britânica.

Não foi divulgado o conteúdo das mensagens trocadas entre Burnham e a pessoa que se fazia passar por Wiles, nem foi esclarecido quando exatamente ocorreram as comunicações ou qual a plataforma utilizada.

Fontes governamentais indicaram que as mensagens foram rapidamente comunicadas às autoridades competentes assim que o contacto foi considerado suspeito.

Susie Wiles já tinha sido alvo de uma burla semelhante

O caso surge mais de um ano depois de as autoridades norte-americanas terem investigado uma situação semelhante envolvendo Susie Wiles.

Em 2025, a Casa Branca e o FBI abriram uma investigação depois de senadores, governadores e empresários norte-americanos terem recebido mensagens e chamadas de alguém que se apresentava como chefe de gabinete de Donald Trump.

O Wall Street Journal noticiou posteriormente que Wiles tinha informado pessoas próximas de que os contactos do seu telemóvel pessoal tinham sido pirateados. O acesso aos contactos terá permitido aos autores da tentativa de se fazerem passar por ela perante outras figuras de topo da política e dos negócios norte-americanos.

A própria Wiles foi também alvo, em 2024, de uma tentativa de ciberespionagem atribuída a uma unidade associada à Guarda Revolucionária iraniana.

Burnham chegou a Downing Street em julho

Andy Burnham tornou-se primeiro-ministro britânico a 20 de julho de 2026, sucedendo a Keir Starmer.

A ascensão ao cargo ficou praticamente definida após a vitória de Burnham nas eleições intercalares de Makerfield, em 18 de junho.

O caso agora revelado ocorre num contexto de crescente preocupação com ataques de engenharia social e tentativas de falsificação de identidade dirigidas a figuras políticas de alto nível.