segunda-feira, 13 abr. 2026

Primeira-ministra demite-se após vencer eleições sem maioria na Dinamarca

O futuro político da Dinamarca dependerá agora de acordos entre partidos — e do papel decisivo dos moderados — num cenário que pode levar semanas de negociações
Primeira-ministra demite-se após vencer eleições sem maioria na Dinamarca

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, apresentou a demissão do Governo ao rei após as eleições legislativas terem deixado o país num impasse político, apesar da vitória do seu partido.

O Partido Social-Democrata da Dinamarca voltou a ser o mais votado, com 21,9% dos votos, mas registou o pior resultado desde 1903.

O bloco de esquerda (“bloco vermelho”), que apoiava Frederiksen, ficou com 84 deputados, longe dos 90 necessários para maioria no parlamento dinamarquês, que tem 179 lugares.

Nenhum dos blocos conseguiu governar sozinho, uma vez que o Bloco de direita (“bloco azul”) alcançou 77 lugares.

Neste cenário, o partido moderado liderado por Lars Løkke Rasmussen, com 14 deputados, torna-se decisivo para a formação de Governo.

Negociações difíceis à vista

A demissão, formalizada junto do Palácio Real da Dinamarca, abre caminho a negociações complexas para formar um novo executivo.

Apesar disso, Frederiksen não exclui continuar no cargo e já afirmou estar “pronta para assumir a responsabilidade” e tentar formar novo Governo.

Frederiksen, no poder desde 2019, enfrenta desgaste político associado a:

  • Aumento do custo de vida

  • Debate sobre pensões e impostos

  • Questões de imigração, onde mantém uma linha restritiva

A líder social-democrata também tem sido destacada pelo forte apoio à Ucrânia e pela sua postura firme em temas internacionais.

As eleições foram convocadas antecipadamente, numa tentativa de reforçar o apoio político, incluindo após tensões geopolíticas envolvendo a Gronelândia. No entanto, o resultado acabou por fragilizar a posição do Governo.

O futuro político da Dinamarca dependerá agora de acordos entre partidos — e do papel decisivo dos moderados — num cenário que pode levar semanas de negociações.