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A primeira-ministra da Letónia, Evika Silina, anunciou esta quinta-feira a sua demissão, depois de a coligação governamental ter perdido a maioria parlamentar na sequência de uma crise política desencadeada pela entrada de drones ucranianos no espaço aéreo letão.
“Anuncio a minha demissão do cargo de primeira-ministra”, declarou Evika Silina durante uma conferência de imprensa realizada em Riga.
A crise começou após dois drones ucranianos, alegadamente desviados devido à interferência eletrónica russa, terem entrado no território letão no passado fim de semana.
Os aparelhos acabaram por colidir com um tanque de petróleo vazio num projeto de infraestruturas energéticas em Rezekne, cidade situada a cerca de 60 quilómetros da fronteira com a Rússia, provocando uma explosão.
O incidente levantou fortes críticas à capacidade de defesa aérea da Letónia e desencadeou uma crise dentro da coligação governamental liderada pelo partido Nova Unidade.
Na sequência das falhas na interceção dos drones, Evika Silina exigiu a demissão do então ministro da Defesa, Andris Spruds, pertencente ao partido Progressistas.
A decisão provocou uma rutura entre os parceiros da coligação.
Os Progressistas acusaram a chefe do Governo de não ter informado previamente o partido sobre a intenção de afastar o ministro e criticaram a utilização política de uma questão militar sensível, considerando que tal colocava em causa a credibilidade das Forças Armadas letãs.
O copresidente dos Progressistas, Andris Suvajevs, respondeu exigindo a saída da primeira-ministra.
“Ou Evika Silina anuncia a sua demissão ou o Saeima põe fim a tudo isto com uma moção de desconfiança”, afirmou à imprensa.
Suvajevs acusou ainda a líder do executivo de ter “derrubado o próprio Governo” e de se ter tornado “incapaz de governar”.
Também o outro parceiro da coligação considerou que o executivo tinha “efetivamente entrado em colapso”, segundo declarou o seu líder, Harijs Rokpelnis.
Com a retirada do apoio parlamentar dos parceiros do Nova Unidade, a coligação governamental, que estava no poder desde 2023, perdeu a maioria no parlamento unicameral letão.
Entretanto, o Presidente da Letónia, Edgars Rinkevics, já tinha convocado para sexta-feira uma reunião com todos os partidos representados no parlamento para discutir soluções para a crise política e preparar a formação de um novo Governo.
A demissão de Evika Silina acontece num contexto de crescente tensão regional provocada pela guerra na Ucrânia e pelo reforço das preocupações de segurança nos países bálticos, particularmente vulneráveis devido à proximidade geográfica com a Rússia.