quinta-feira, 11 jun. 2026

Presidente polaco quer retirar distinção máxima a Zelensky

O Presidente da Polónia propôs retirar a mais alta condecoração do país ao homólogo da Ucrânia após uma unidade militar ucraniana receber o nome de uma organização acusada de massacres de polacos na Segunda Guerra Mundial
Presidente polaco quer retirar distinção máxima a Zelensky

O Presidente da Polónia, Karol Nawrocki, propôs esta sexta-feira a retirada da mais alta distinção honorífica do país ao Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, após a decisão de Kiev de homenagear uma organização nacionalista ucraniana envolvida em massacres de polacos durante a Segunda Guerra Mundial.

Segundo a Rádio Polónia, Zelensky assinou um decreto que atribui o título “Heróis do Exército Popular da Ucrânia” a uma unidade das Forças de Operações Especiais ucranianas.

A designação remete para o Exército Insurgente Ucraniano (UPA), organização nacionalista que combateu forças nazis, soviéticas e polacas durante a Segunda Guerra Mundial.

Karol Nawrocki afirmou estar “indignado” com a decisão e revelou ter proposto a retirada da Ordem da Águia Branca, a mais elevada condecoração atribuída pelo Estado polaco, a Volodymyr Zelensky.

Segundo o chefe de Estado polaco, a homenagem “fere a memória das vítimas” dos massacres atribuídos à organização nacionalista ucraniana.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros polaco classificou igualmente a decisão como negativa, considerando que prejudica o diálogo entre Varsóvia e Kiev.

A diplomacia polaca alertou ainda que o caso poderá ser explorado pela propaganda da Rússia para alimentar divisões entre os dois países e fragilizar o apoio internacional à Ucrânia.

Também o Instituto da Memória Nacional da Polónia condenou a decisão ucraniana. Segundo o organismo, a UPA foi diretamente responsável pelo genocídio de polacos entre 1943 e 1945, defendendo que a glorificação da organização deve ser rejeitada.

O episódio reacende tensões históricas entre Polónia e Ucrânia relacionadas com o chamado Massacre da Volínia. De acordo com historiadores citados pela Rádio Polónia, em julho de 1943 combatentes da UPA realizaram ataques coordenados contra cerca de 150 aldeias polacas na região da Volínia.

Os acontecimentos continuam a dividir os dois países quanto à interpretação histórica. Na Polónia, os ataques são frequentemente classificados como genocídio contra a população polaca. Já muitos ucranianos encaram a UPA sobretudo como um movimento de resistência anti-soviética que combateu a antiga União Soviética no pós-guerra.

Apesar das divergências históricas, a Polónia continua a ser um dos principais aliados da Ucrânia desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022.