sexta-feira, 13 mar. 2026

"Prendam-nos”. Congressistas pedem punições para Bad Bunny depois da atuação no Super Bowl

Ao que tudo indica, os republicanos já iniciaram diligências para apurar se houve violação das normas federais, alegando que a atuação "promove comportamentos imorais".

A atuação de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl continua a gerar forte controvérsia nos Estados Unidos, principalmente depois de vários congressistas republicanos terem exigido medidas punitivas contra o artista, a NFL e a estação NBC, acusando o espetáculo de conter "linguagem imprópria" e conteúdos considerados ofensivos.

O debate intensificou-se quando o congressista Randy Fine, da Florida, apresentou uma queixa formal junto da Comissão Federal de Comunicações (FCC), defendendo que a transmissão violou as regras aplicáveis à televisão de sinal aberto. Na sua opinião, a atuação incluiu termos e imagens que "não deveriam ser exibidos em horário nobre".

Numa publicação nas redes sociais, Fine apelou a uma resposta severa das autoridades: “Pedimos [ao FCC (Comissão Federal de Comunicações)] medidas drásticas, incluindo multas e revisão das licenças de transmissão da NFL, da NBC e de Bad Bunny. Prendam-nos”.

O parlamentar anexou traduções para inglês de algumas letras do cantor porto-riquenho, nas quais surgem referências explícitas a partes do corpo, consideradas inadequadas para emissões em canal aberto. Embora, habitualmente, os artistas adaptem as suas atuações a estas regras, Fine considera que, neste caso, tal não aconteceu.

A contestação foi reforçada por Andy Ogles, representante do Tennessee, que solicitou uma investigação formal à Comissão de Energia e Comércio da Câmara dos Representantes. Numa carta enviada ao organismo, acusou a NFL e a NBC de permitirem uma transmissão que, no seu entender, "promove comportamentos imorais".

“As crianças foram forçadas a suportar exibições explícitas de atos sexuais gay, mulheres a abanar-se provocativamente e Bad Bunny a agarrar descaradamente a sua virilha enquanto se esfregava no ar”, escreveu Ogles numa mensagem divulgada na rede social X, acrescentando ainda que "a letra da apresentação glorificava abertamente a sodomia e inúmeras outras depravações indizíveis".

Também o congressista Mark Alford, do Missouri, afirmou que o caso está a ser analisado no Congresso. Segundo ele, os republicanos já iniciaram diligências para apurar se houve violação das normas federais. Em declarações ao canal Real America’s Voice, considerou mesmo que o espetáculo “pode ser pior” do que o polémico incidente protagonizado por Janet Jackson em 2004, quando protagonizou o conhecido "Nipplegate", em que Justin Timberlake rasgou parte do seu figurino no final da atuação.

Apesar de admitir não dominar a língua espanhola, Alford sublinhou a necessidade de esclarecer o conteúdo transmitido: “Não falo espanhol fluentemente, sei como perguntar onde fica a casa de banho, mas estas letras, se o que foi dito na televisão nacional for verdade, temos muitas perguntas para as estações que as transmitiram”.

A polémica surge num contexto de crescente tensão entre setores conservadores e os grandes meios de comunicação social. O próprio Presidente Donald Trump criticou duramente a atuação, classificando-a como “uma das piores da história” e uma “afronta à grandeza” do país. A reação do presidente norte-americano não é surpreendente, principalmente depois de já ter referido que "não conhecida Bad Bunny de lado nenhum" e que tanto ele como a banda de abertura, Greenday, tinham sido "a pior escolha" da organização.

Entretanto, o presidente da FCC, Brendan Carr, já tinha, em meses anteriores, apelado aos media para se alinharem com a administração Trump, alertando para possíveis sanções em casos considerados problemáticos. Agora, caberá ao regulador avaliar se a atuação de Bad Bunny, a mais vista de sempre num Super Bowl, infringiu, ou não, as normas de transmissão em vigor.