Portugal só adere ao Conselho da Paz restringido a Gaza

Donald Trump tem sido muito crítico da ONU, criada em 1945, no rescaldo da II Guerra Mundial, que conta atualmente com 193 Estados-membros.
Portugal só adere ao Conselho da Paz restringido a Gaza

Portugal só irá aderir ao Conselho de Paz criado pelo Presidente norte-americano se o âmbito da organização se cingir ao conflito israelo-palestiniano. "O'Board of Peace' [Conselho de paz] é perfeitamente enquadrável se se restringir a Gaza", afirmou esta terça-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

Paulo Rangel, na sua intervenção numa conferência sobre "O futuro da segurança da Europa", que decorre na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, lembrou que a organização "foi proposta pelos Estados Unidos para este conflito israelo-palestiniano” pelo que “gostaríamos que se cingisse a isso".

O chefe da diplomacia portuguesa reforçou que a posição é seguida por outros Estados, incluindo o Brasil.

Criado oficialmente na quinta-feira passada, o Conselho de Paz foi anunciado como um organismo com o objetivo de aplicar o plano de Washington para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza, mas o tratado fundador revela um mandato muito mais vasto, apresentando-se como uma organização alternativa às Nações Unidas.

Presidido pelo presidente dos EUA, o Conselho de Paz enviou convites de adesão a vários países, incluindo Portugal, sendo que o preço de um lugar permanente é de mil milhões de dólares (854,3 milhões de euros).

Donald Trump tem sido muito crítico da ONU, criada em 1945, no rescaldo da II Guerra Mundial, que conta atualmente com 193 Estados-membros.

Em sentido contrário e também nesta terça-feira o Presidente chinês reafirmou o apoio à ONU. Xi Jinping afirmou esperar que Pequim e Helsínquia possam trabalhar em conjunto por uma ordem mundial baseada naquele organismo, durante um encontro com o primeiro-ministro finlandês, Petteri Orpo.

“A China está disposta a trabalhar com a Finlândia para apoiar firmemente o sistema internacional do qual as Nações Unidas são o pilar”, disse Xi, que também se prepara para reunir-se com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que iniciou na segunda-feira uma viagem à China e ao Japão.

Embora a China tenha sido convidada pelos EUA a participar neste “Conselho da Paz”, que visa trabalhar na resolução de conflitos no mundo e é amplamente visto como concorrente da ONU, Pequim evitou até agora dizer se aceita ou não o convite.

Xi Jinping também já tinha apelado ao Brasil na semana passada para que defenda, em conjunto com a China, “o papel central” das Nações Unidas no sistema internacional, durante uma entrevista com o homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.