segunda-feira, 17 ago. 2026

Portugal participa em reunião convocada pelos EUA sobre ameaça de terrorismo de extrema-esquerda

Portugal vai estar representado numa reunião internacional promovida pelos Estados Unidos sobre o ressurgimento do terrorismo transnacional de extrema-esquerda. O encontro, que junta mais de 70 países em Washington, surge numa altura em que a estratégia da administração de Donald Trump está a gerar controvérsia
Portugal participa em reunião convocada pelos EUA sobre ameaça de terrorismo de extrema-esquerda

Portugal vai participar, na quinta-feira, numa reunião internacional promovida pelos Estados Unidos para discutir o ressurgimento do terrorismo transnacional de extrema-esquerda. O encontro decorre em Washington e contará com representantes de mais de 70 países.

De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, Portugal será representado pela Embaixada de Portugal nos Estados Unidos.

Casa Branca quer coordenar resposta internacional

A iniciativa foi organizada pela Casa Branca, no âmbito da estratégia da administração do Presidente Donald Trump, que pretende reforçar a cooperação internacional no combate ao que considera ser uma ameaça crescente de terrorismo de extrema-esquerda.

De acordo com informações avançadas pela estação norte-americana ABC, com base em documentos do Departamento de Estado, o objetivo passa por estabelecer uma ação coordenada entre os países participantes para responder a organizações que, segundo Washington, recorrem à intimidação e à violência para impor objetivos políticos.

Inicialmente dirigido a ministros de mais de 60 países, o convite acabou por ser alargado a outros Estados devido ao elevado número de manifestações de interesse, indicou o Departamento de Estado.

Administração Trump fala em ameaça "negligenciada"

Numa nota enviada aos governos convidados, a Casa Branca sustenta que o terrorismo transnacional de extrema-esquerda tem sido um "ponto cego" nas políticas internacionais de combate ao terrorismo.

O documento refere que especialistas em segurança identificaram uma tendência de crescimento de redes com motivações políticas de extrema-esquerda que recorrem, cada vez mais, à violência organizada e letal para atingir os seus objetivos.

A administração norte-americana considera, por isso, que esta ameaça tem recebido menos recursos e atenção do que deveria.

Estratégia gera críticas dentro da própria administração

A nova abordagem da Casa Branca não reúne consenso dentro da própria administração norte-americana.

Segundo o jornal The Washington Post, algumas autoridades receiam que a estratégia possa abrir caminho à utilização dos mecanismos de combate ao terrorismo para atingir movimentos de ativismo político nos Estados Unidos.

O jornal refere que Sebastian Gorka, diretor de contraterrorismo e assessor do Conselho de Segurança Nacional, admitiu a possibilidade de classificar a Antifa como organização terrorista estrangeira.

Essa classificação poderia servir de base para investigar ou processar cidadãos norte-americanos ligados ao movimento antifascista.

Estudos apontam para maior ameaça da extrema-direita e do terrorismo jihadista

Apesar das preocupações expressas pela administração Trump, uma análise divulgada em 2025 pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) concluiu que, embora a violência associada à extrema-esquerda tenha aumentado na última década, continua significativamente abaixo dos níveis registados por ataques atribuídos à extrema-direita e ao terrorismo jihadista.

O estudo considera que o terrorismo jihadista continua a ser uma das principais preocupações das autoridades norte-americanas, apesar da diminuição da sua intensidade nos últimos anos.

Os investigadores alertam ainda para a possibilidade de um novo crescimento da violência de extrema-direita, sobretudo caso as eleições presidenciais norte-americanas de 2028 sejam marcadas por alegações de fraude eleitoral ou forte polarização política