A Polónia e a Ucrânia vão desenvolver em conjunto um “exército de drones” para reforçar a segurança do espaço aéreo europeu perante a ameaça russa, anunciou o primeiro-ministro polaco.
O projeto foi apresentado durante a conferência internacional sobre reconstrução da Ucrânia, realizada em Rzeszow, e pretende criar uma frota moderna de sistemas aéreos não tripulados com capacidade de vigilância e combate.
Segundo Donald Tusk, a iniciativa permitirá um “salto tecnológico sem precedentes”, tirando partido da experiência acumulada pelas forças ucranianas no uso de drones em contexto de guerra. O financiamento deverá combinar fundos nacionais e apoio da União Europeia.
O líder polaco sublinhou ainda que a reconstrução da Ucrânia depende do fim da guerra, iniciada com a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 e intensificada com a invasão em larga escala em 2022.
NATO intensifica exercícios militares
O anúncio surge num momento de reforço da prontidão militar da NATO. Cerca de 18 mil militares de 12 países aliados e da Ucrânia iniciaram na Suécia o exercício “Aurora 2026”, o maior do ano naquele país.
As manobras, que decorrem durante duas semanas, simulam uma ameaça militar vinda de leste e concentram-se no sul sueco e na estratégica ilha de Gotland, no mar Báltico.
Entre os participantes estão forças dos EUA, Reino Unido, França, Alemanha e Canadá, além de países nórdicos e bálticos. Pela primeira vez, o exercício inclui operadores de drones ucranianos, que irão partilhar conhecimento operacional adquirido no terreno.
De acordo com o contra-almirante Jonas Wikström, das Forças Armadas suecas, a guerra na Ucrânia levou a Europa à “situação de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial”, reforçando a necessidade de treino conjunto entre aliados.
Operação no Mediterrâneo com participação portuguesa
Em paralelo, a NATO iniciou também o exercício “Neptune Strike 26” no Mar Mediterrâneo, uma operação de vigilância reforçada que conta com a participação de vários países, incluindo Portugal.
Segundo a Aliança Atlântica, estas operações têm natureza defensiva e visam demonstrar a capacidade de integração rápida de forças multinacionais em cenários complexos.
O reforço dos exercícios militares e o investimento em tecnologia de drones refletem uma estratégia mais ampla de adaptação da NATO e dos seus aliados a um contexto de segurança europeu cada vez mais volátil.