quarta-feira, 11 fev. 2026

Polónia confirma ciberataque russo que provocou apagões e deixou 500 mil pessoas sem aquecimento

Perante esta vulnerabilidade, Donald Tusk sublinhou a necessidade de avançar rapidamente com a nova Lei do Sistema Nacional de Cibersegurança, que visa transpor a diretiva europeia NIS-2
Polónia confirma ciberataque russo que provocou apagões e deixou 500 mil pessoas sem aquecimento

O primeiro-ministro da Polónia confirmou esta quinta-feira que o país foi alvo de um ciberataque no final de 2025, planeado “durante semanas” pela Rússia. O ciberataque teve como objetivo provocar um apagão em todo o território polaco.

Em conferência de imprensa em Varsóvia, após uma reunião com as autoridades de segurança energética, Donald Tusk revelou que o ataque provocou falhas de eletricidade em várias cidades durante várias horas na véspera de Ano Novo e “deixou 500 mil pessoas sem aquecimento em pleno inverno”.

Segundo o chefe do Governo, o ataque foi detetado em 31 de dezembro e “teve como alvo subestações, linhas de transmissão e operadores de energias renováveis, afetando parques eólicos e duas centrais de cogeração”.

Apesar da dimensão do incidente, Tusk assegurou que “o sistema crítico como um todo não esteve em risco”. “Os sistemas estatais funcionaram corretamente na localização da ameaça”, enfatizou.

A confirmação surge depois de o ministro polaco dos Assuntos Digitais, Krzysztof Gawkowski, ter acusado formalmente a Rússia, na terça-feira, de estar por detrás da sabotagem, com o objetivo de desestabilizar o país devido ao “apoio estratégico da Polónia à Ucrânia”.

Perante esta vulnerabilidade, Donald Tusk sublinhou a necessidade de avançar rapidamente com a nova Lei do Sistema Nacional de Cibersegurança, que visa transpor a diretiva europeia NIS-2.

O diploma pretende reforçar os padrões de proteção em setores críticos como a energia, os transportes e a saúde, impondo medidas obrigatórias de gestão de risco, autenticação e encriptação.

Segundo o primeiro-ministro, a nova lei dará às instituições polacas “ferramentas poderosas” para controlar interferências estrangeiras e proteger o mercado nacional.

“Apelo ao Presidente [polaco, Karol Nawrocki] a não atrasar a assinatura desta lei assim que for aprovada pelo Parlamento. Não deverá haver disputas políticas sobre este assunto”, declarou.

O Governo polaco prevê enviar o projeto de lei ao Senado nos próximos dias, numa altura em que o país enfrenta um aumento significativo dos ataques informáticos: mais de 170 mil incidentes foram registados apenas nos primeiros nove meses de 2025.