Há mais de uma semana que a vida da família de Parker ficou suspensa no tempo.
O menino de 11 anos, autista, não verbal e com necessidades especiais, desapareceu na manhã de 16 de julho, depois de ter sido visto pela última vez na casa de acolhimento diurna que frequentava, no bairro de Cambrian Heights, em Calgary, na província canadiana de Alberta. Desde então, centenas de operacionais, voluntários e familiares têm procurado incansavelmente por aquele que descrevem como um rapaz vulnerável, mas também surpreendentemente resiliente.
Apesar de já ter passado uma semana, as autoridades recusam abandonar a operação.
"Pode chegar o dia em que tenhamos esgotado todas as hipóteses de busca, mas esse dia ainda não chegou.", afirmou o responsável pela investigação, Scott Guterson, durante uma conferência de imprensa, segundo a estação televisiva CP24. "Continuamos a acreditar que Parker pode estar vivo."
Sem sinais de crime
A investigação não encontrou, até ao momento, qualquer indício de rapto ou de intervenção criminosa.
As autoridades acreditam que Parker abandonou sozinho a casa onde estava, e conseguiram reconstruir parte dos seus movimentos através de câmaras de videovigilância instaladas na cidade. Foram ainda encontradas peças de roupa que se acredita pertencerem ao menino, mas nenhum dos elementos recolhidos permitiu determinar o seu paradeiro.
Segundo a revista People e dado o historial de Parker de "entrar em estruturas e trancar as portas atrás de si", as autoridades pedem que qualquer pessoa que tenha conhecimento de propriedades desocupadas na área contacte imediatamente a polícia.
"Entendemos que ele seria capaz de usar a torneira para obter água e saberia usar o frigorífico para obter comida, e esse é um dos motivos pelos quais estamos a pedir que as casas desocupadas ou aquelas cujos ocupantes estão de férias sejam verificadas e revistas", disse o sargento Scott Guterson.
Centenas de pessoas continuam no terreno
A operação mobilizou cerca de 500 voluntários, além de equipas da Polícia de Calgary, drones, meios aéreos e unidades especializadas em busca e salvamento.
As equipas continuam a percorrer zonas florestais, margens de cursos de água, parques urbanos e áreas residenciais, enquanto investigadores analisam dezenas de horas de imagens de videovigilância recolhidas em vários pontos da cidade.
Nos últimos dias, a polícia chegou mesmo a recorrer a uma estratégia pouco habitual: reproduzir músicas da Disney através dos altifalantes de viaturas policiais, depois de a família explicar que Parker reage positivamente a essas melodias. A esperança era que o menino reconhecesse os sons e saísse do local onde pudesse estar escondido.
"Vivemos o pior pesadelo de qualquer pai"
A família descreve os últimos dias como um sofrimento permanente.
Num comunicado divulgado dois dias após o desaparecimento, os pais afirmaram estar a viver o pior pesadelo que qualquer pai pode imaginar e apelaram à população para continuar atenta.
“Desde que ele desapareceu, a nossa família tem vivido o pior pesadelo de qualquer pai. Cada hora que passa sem saber onde ele está ou se está em segurança tem sido incrivelmente devastadora para nós”, escreveram. “Pedimos a todos na comunidade de Calgary que estejam atentos ao Parker.”
Como Parker é não verbal e pode assustar-se facilmente perante desconhecidos, as autoridades pedem que qualquer pessoa que o veja não tente aproximar-se, devendo contactar imediatamente a polícia e manter o menino apenas sob observação até à chegada dos agentes.
Esperança continua a orientar as buscas
Embora o desaparecimento prolongado aumente naturalmente a preocupação, os operacionais recusam alterar o foco da operação.
Para a polícia, a inexistência de indícios de violência, aliada às características comportamentais de Parker e ao facto de poder conseguir encontrar água e algum alimento, mantém viva a possibilidade de um desfecho positivo.
"Nunca desistimos", garantiu Scott Guterson.
Uma frase que, uma semana depois do desaparecimento, continua a resumir o estado de espírito de quem permanece no terreno à procura de Parker.