sexta-feira, 07 ago. 2026

Polícia no Brasil mata 18 pessoas por dia

As forças policiais brasileiras provocaram 6.602 mortes ao longo de 2025, o maior número anual desde que há registos. O novo Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que a letalidade policial aumentou 5,4% face ao ano anterior e representa já uma em cada seis mortes violentas intencionais no país.
Polícia no Brasil mata 18 pessoas por dia

As polícias brasileiras mataram 6.602 pessoas em 2025, registando 18 óbitos diários e o maior número absoluto da série histórica, segundo o novo relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Este volume de mortes decorrentes de intervenções policiais cresceu 5,4% em relação a 2024, e reflete uma realidade estrutural do quotidiano nacional, de acordo com o levantamento da organização não-governamental, que divulgou hoje o 20.º Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026.

Numa década, ou seja, entre 2015 e 2025, 60.558 pessoas foram mortas em ações policiais no Brasil.

Enquanto os homicídios dolosos caíram, a letalidade policial seguiu tendência inversa, representando uma em cada seis mortes violentas intencionais.

O perfil das vítimas mantém um padrão de desigualdade, sendo que 99,3% dos mortos são homens e 82% são pessoas negras.

Entre os estados brasileiros, o Amapá, na região Norte, registou a maior taxa de letalidade policial, com 17,1 mortes, seguido pela Baía, no Nordeste, com 10,6.

Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a "Operação Contenção", em outubro de 2025, no Rio de Janeiro, simboliza esse cenário ao resultar em 122 mortes em dois dias, superando o Massacre do Carandiru, em 1992, que resultou na morte de 111 presos.

No anuário destaca-se que “o desafio atual deixou de ser apenas operacional e passou a envolver mecanismos de controle institucional, transparência, responsabilização e prevenção da captura das instituições públicas pelo crime organizado”.

A organização não-governamental destaca a necessidade de mecanismos como câmaras corporais nos agentes de segurança pública, para garantir que o uso da força por polícias seja a última alternativa.

“É facto que parte das mortes por intervenção policial podem se relacionar com o uso da força de modo legítimo. No entanto, a partir os dados obtidos, não é possível distinguir quais casos são legítimos ou não”, lê-se no relatório.

“Para todos os casos é necessária a atuação de monitoramento, como o uso ininterrupto das câmaras corporais, e fiscalização interna, por meio das corregedorias, bem como, externa, com a atuação do Ministério Público sobre as polícias brasileiras”, conclui.