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A polícia turca invadiu este domingo a sede do Partido Republicano do Povo, em Ancara, utilizando gás lacrimogéneo e balas de borracha contra apoiantes e funcionários que se encontravam no interior do edifício.
Imagens divulgadas pelos meios de comunicação social mostraram nuvens de gás lacrimogéneo no pátio e dentro da sede do partido, enquanto agentes da polícia de choque avançavam sobre o local.
Segundo a Associated Press, os ocupantes tentaram inicialmente resistir utilizando extintores, mas acabaram rapidamente dominados pelas forças policiais.
As imagens mostraram ainda portas, janelas e mobiliário destruídos durante a operação.
A intervenção policial aconteceu depois de o edifício ter sido cercado pelas autoridades para destituir formalmente o líder do CHP, Özgür Özel, afastado do cargo por decisão judicial na quinta-feira.
O tribunal ordenou a reposição do antigo líder do partido, Kemal Kilicdaroglu, de 77 anos, na presidência da formação política.
Após a entrada da polícia, Özgür Özel saiu do edifício sob aplausos dos apoiantes concentrados no exterior.
“Estamos a sair agora apenas para recuperar este espaço de uma forma que ninguém volte a interferir”, afirmou aos jornalistas.
Özel e centenas de apoiantes iniciaram depois uma marcha em direção ao parlamento turco, localizado a vários quilómetros da sede partidária.
A crise interna agravou-se após um tribunal de recurso ter anulado a eleição de Özel como líder do CHP, realizada no congresso partidário de 2023.
A decisão judicial considerou provadas alegações de compra de votos entre delegados do congresso, anulando os resultados e levando à reposição de Kemal Kilicdaroglu na liderança.
Özel rejeitou a decisão e acusou o Governo do presidente Recep Tayyip Erdogan de instrumentalizar a justiça para enfraquecer a oposição.
“Estamos sob ataque. O nosso crime? Tornar o nosso partido o número um da Turquia ao fim de 47 anos”, afirmou numa mensagem divulgada nas redes sociais.
O líder afastado acrescentou ainda que o CHP “resistirá até ao fim”.
A maioria dos deputados do CHP e vários presidentes de câmara de importantes cidades turcas manifestaram entretanto apoio público a Özel.
Entre eles encontra-se o presidente da Câmara de Istambul, Ekrem Imamoglu, considerado o principal adversário político de Erdogan.
Imamoglu encontra-se detido desde março do ano passado e está a ser julgado por alegados crimes de corrupção.
Observadores internacionais consideram que vários processos judiciais contra dirigentes do CHP podem ter como objetivo fragilizar a oposição antes das próximas eleições presidenciais, previstas para 2028.
O Governo turco nega interferências políticas e insiste que os tribunais atuam de forma independente.