Um petroleiro foi atingido por um projétil desconhecido no estreito de Ormuz, sem causar vítimas na região, um dos palcos da guerra comercial entre o Irão e os Estados Unidos, afirmou esta quinta-feira a agência marítima britânica UKMTO.
No seu portal, a agência, sob a tutela do exército do Reino Unido, citou as autoridades locais afirmando que "um petroleiro foi atingido por um projétil desconhecido, que provocou um incêndio a bordo, já extinto".
"Toda a tripulação está segura e foi contabilizada, e não foi relatado qualquer impacto ambiental. As autoridades estão a investigar", afirmou a UKMTO, que acompanha o tráfego marítimo em todo o mundo, numa breve nota.
Este é o primeiro incidente desde 18 de agosto, quando a UKMTO referiu um ataque a um navio graneleiro, também atingido por um projétil desconhecido enquanto transitava por Ormuz.
O ataque no estratégico estreito, por onde passa um quinto do petróleo mundial em tempo de paz, acontece no meio de tentativas diplomáticas para quebrar o impasse nas negociações entre Teerão e Washington, cujo conflito completa esta semana seis meses.
Teerão insiste que não reabrirá a Ormuz até que os EUA cumpram os compromissos assumidos no memorando de entendimento assinado a 17 de junho e recusa-se a negociar, pelo menos publicamente.
Na quarta-feira, a Guarda Revolucionária do Irão anunciou que foram alcançados "alguns acordos" com Omã sobre segurança no estreito de Ormuz, incluindo a partilha das receitas do tráfego marítimo, mas que as negociações ainda vão prosseguir.
"Durante as negociações com Omã, foram firmados alguns acordos relativos à participação de cada país nas águas do estreito e à participação do Irão e de Omã nas receitas", indicou o porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebi, acusando Washington de "obstruir os trabalhos" das negociações dos dois países do Golfo, que se prolongam há várias semanas.
Um dia antes, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr al-Busaidi, afirmou que esperava o anúncio "em breve" da criação de um corredor marítimo temporário no estreito de Ormuz, que inclui operações de desminagem.
Os Estados Unidos já avisaram Omã que se opõem a partes do acordo em desenvolvimento, incluindo a gestão conjunta da rota.
Anteriormente, o Presidente norte-americano, Donald Trump, tinha afirmado que Ormuz estava sob controlo norte-americano e desminado, uma alegação negada por Teerão, e ameaçou Omã com bombardeamentos caso o sultanato se colocasse "no caminho" de um acordo dos Estados Unidos sobre o estreito.
Na segunda-feira, o secretário norte-americano do Tesouro, Scott Bessent, apresentou a operação “Pária Económico” contra a República Islâmica, que visa sancionar qualquer pessoa ou entidade que com ela mantenha relações comerciais.
Em reação, as autoridades de Teerão consideraram que a guerra económica anunciada por Washington está "destinada ao fracasso".