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O discurso do Estado da União voltou a transformar o Capitólio num palco de confrontação política. Desta vez, o momento mais tenso ocorreu logo nos primeiros minutos, quando o congressista democrata Al Green, do Texas, exibiu um cartaz com a frase “Pessoas negras não são macacos” e acabou por ser retirado da Câmara dos Representantes.
A intervenção aconteceu durante o discurso do Presidente norte-americano, Donald Trump, que ao longo da sessão provocou a ala democrata por permanecer sentada e em silêncio, recorrendo a críticas duras e chamando os opositores de “loucos”.
Al Green justificou o protesto como reação a um vídeo anteriormente divulgado por Trump, no qual o ex-Presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama surgiam representados como macacos. O congressista classificou o conteúdo como “inaceitável”.
Dois minutos após o início da intervenção presidencial, Green foi escoltado para fora do plenário.
Gritos de “É mentira” e “É genocídio”
O ambiente manteve-se tenso ao longo da sessão conjunta no Capitólio. Quando Trump afirmou ter colocado fim a “oito guerras”, a congressista democrata Rashida Tlaib reagiu em voz alta com um “É mentira”. Mais tarde, quando o Presidente abordou Israel, Tlaib gritou “É genocídio”, num dos momentos mais ruidosos da noite.
Apesar destas intervenções, a maioria dos deputados democratas optou por permanecer em silêncio, sem se levantar durante o discurso.
Vários parlamentares exibiram autocolantes com a mensagem “Divulguem os ficheiros”, numa referência aos documentos tornados públicos do caso envolvendo Jeffrey Epstein, cujo nome surge frequentemente associado a polémicas políticas e judiciais nos Estados Unidos. Outros usaram crachás contra a polícia federal de imigração, conhecida pela sigla ICE.
Boicote fora do Capitólio
Mais de trinta democratas decidiram não marcar presença na sessão. Em vez disso, concentraram-se no exterior do edifício, onde discursaram e reforçaram críticas à administração republicana.
O episódio sublinha o clima de divisão profunda na política norte-americana, com o discurso do Estado da União a tornar-se, uma vez mais, um momento de confronto direto entre o Presidente e a oposição.
A sessão, que deveria servir para apresentar prioridades legislativas e linhas estratégicas para o país, acabou dominada por protestos visuais, palavras de ordem e uma expulsão que rapidamente se tornou viral nas redes sociais.
O caso promete continuar a gerar polémica e a alimentar o debate sobre os limites do protesto político dentro das instituições.