sexta-feira, 06 fev. 2026

Parlamento Europeu proíbe entrada de representantes do Irão nas suas instalações

Segundo dados da organização não-governamental Human Rights Activists News Agency (HRANA), pelo menos 538 pessoas morreram na sequência da repressão dos protestos, que resultaram ainda na detenção de 10.675 pessoas, incluindo 160 menores de idade e 52 estudantes.
Parlamento Europeu proíbe entrada de representantes do Irão nas suas instalações

A presidente do Parlamento Europeu anunciou esta segunda-feira a proibição de entrada de diplomatas e outros representantes do Irão nas instalações da assembleia europeia. Roberta Metsola afirmou que a instituição “não contribuirá para legitimar” o atual regime iraniano.

“Não pode ser tudo como se nada tivesse acontecido. Enquanto o corajoso povo do Irão continua a lutar pelos seus direitos e pela sua liberdade, tomei hoje a decisão de proibir todo o pessoal diplomático e quaisquer outros representantes da República Islâmica do Irão de entrar nas instalações do Parlamento Europeu”, escreveu Roberta Metsola na rede social X.

A responsável sublinhou que o Parlamento Europeu “não contribuirá para legitimar este regime que se mantém através da tortura, da repressão e do assassinato”. Metsola referia-se à vaga de protestos que se intensificou no Irão nos últimos meses, motivada pelo agravamento da crise económica, pela elevada inflação e pela falta de liberdades civis.

As manifestações, que se alastraram a várias cidades iranianas, têm sido duramente reprimidas pelas forças de segurança, com registo de centenas de mortos, milhares de feridos e detenções em massa.

Na terça-feira, os embaixadores dos Estados-membros junto da União Europeia (UE) vão debater a situação no Irão numa reunião extraordinária em Bruxelas, depois de a alta-representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, ter admitido a possibilidade de novas sanções contra Teerão.

A Comissão Europeia confirmou estar a preparar a proposta de sanções “mais severas” contra as autoridades iranianas, em resposta à “repressão violenta” das manifestações. As medidas terão de ser aprovadas por unanimidade pelos Estados-membros.

“Estamos preparados para propor novas sanções, mais severas, perante a repressão violenta das manifestações. Trata-se de uma decisão que teria de ser aprovada por unanimidade pelos Estados-membros”, afirmou o porta-voz da Comissão Europeia para os Assuntos Externos e Política de Segurança, Anouar El Anouni, em conferência de imprensa, em Bruxelas.

O responsável recordou que a UE já impôs sanções a várias personalidades iranianas por “violações graves dos direitos humanos” e reiterou a “total solidariedade” com o povo iraniano.

Segundo dados da organização não-governamental Human Rights Activists News Agency (HRANA), pelo menos 538 pessoas morreram na sequência da repressão dos protestos, que resultaram ainda na detenção de 10.675 pessoas, incluindo 160 menores de idade e 52 estudantes.

Os números exatos são difíceis de confirmar devido a restrições no acesso à Internet e à censura imposta pelas autoridades iranianas. As manifestações deram origem a protestos de solidariedade em vários países estrangeiros e têm motivado uma crescente condenação internacional do regime de Teerão.