quarta-feira, 15 abr. 2026

Papa Leão XIV rejeita uso da religião para justificar guerras no Domingo de Ramos

A celebração do Domingo de Ramos assinala a entrada de Jesus em Jerusalém e marca o início da Semana Santa, que culmina na Páscoa
Papa Leão XIV rejeita uso da religião para justificar guerras no Domingo de Ramos

O Papa Leão XIV rejeitou este domingo qualquer tentativa de usar Deus para legitimar conflitos armados, durante a missa de Domingo de Ramos, celebrada perante dezenas de milhares de fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Numa homilia marcada pelo atual contexto internacional, o pontífice sublinhou que Deus é “o rei da paz” e rejeita a violência, numa referência indireta a conflitos como a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irão, bem como à invasão da Ucrânia pela Rússia.

“Jesus, Rei da Paz, rejeita a guerra. Ninguém o pode usar para a justificar (…) Ele não escuta as orações daqueles que travam a guerra”, afirmou, citado pela Associated Press.

As palavras de Leão XIV surgem numa altura em que líderes políticos têm invocado argumentos religiosos para sustentar ações militares. Nos Estados Unidos, figuras como o secretário da Defesa, Pete Hegseth, recorreram à fé cristã para enquadrar conflitos internacionais, enquanto a Igreja Ortodoxa Russa tem classificado a guerra na Ucrânia como uma “guerra santa”.

O Papa contrapôs essa visão, insistindo que a religião não pode ser instrumentalizada para legitimar violência ou confrontos armados.

Início da Semana Santa no Vaticano

A celebração do Domingo de Ramos assinala a entrada de Jesus em Jerusalém e marca o início da Semana Santa, que culmina na Páscoa.

A cerimónia começou com uma procissão de cardeais, bispos e fiéis com ramos de oliveira e palmeiras, num ritual simbólico que decorreu na Praça de São Pedro.

O atual pontífice evocou também o legado do seu antecessor, Papa Francisco, que morreu após um AVC no ano passado, depois de um pontificado marcado por uma forte dimensão social e pastoral.

Leão XIV deverá agora retomar algumas tradições, como a cerimónia do lava-pés na Basílica de São João de Latrão, durante a Quinta-feira Santa, reforçando a mensagem de humildade e serviço associada ao ritual.

O Papa presidirá ainda às principais celebrações da Semana Santa, incluindo a procissão da Sexta-Feira Santa no Coliseu de Roma, a Vigília Pascal e a missa do Domingo de Páscoa, novamente na Praça de São Pedro.

Num mundo marcado por múltiplos conflitos, a mensagem central deixada por Leão XIV é clara: a fé, longe de justificar guerras, deve ser um instrumento de paz e reconciliação.