quarta-feira, 22 jul. 2026

Papa Leão XIV alerta para abandono dos idosos: “Muitos são esquecidos pelos filhos e vivem na solidão”

Na mensagem para o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, o Papa Leão XIV alertou para a solidão e o abandono dos mais velhos. O pontífice apelou aos jovens para visitarem os avós e lembrou que muitos idosos são vistos como um fardo pela sociedade

O Papa Leão XIV alertou esta segunda-feira para a crescente solidão dos idosos, denunciando situações de abandono familiar e apelando aos mais jovens para que retomem o hábito de visitar os avós e os idosos que vivem isolados.

A mensagem foi divulgada por ocasião do VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que este ano será assinalado a 26 de julho sob o tema "Eu nunca te esquecerei".

“Muitos idosos são abandonados pelos filhos, obrigados a migrar ou, nalguns casos, a combater na guerra”, afirmou o pontífice, numa reflexão dedicada aos desafios enfrentados pela população mais envelhecida.

Papa denuncia cultura que vê os idosos como um fardo

Na mensagem divulgada pela Santa Sé, Leão XIV lamenta que muitos idosos sejam alvo de preconceitos e acabem afastados da vida familiar e social.

“A Igreja conhece o sofrimento dos seus filhos mais idosos, sabe bem que demasiadas vezes se olha para eles com preconceitos e são considerados um fardo”, escreveu.

O Papa considera que o atual contexto social, marcado pela indiferença, pela violência e por modelos económicos centrados no lucro, contribui para o enfraquecimento dos laços familiares e para o isolamento dos mais velhos.

Segundo o líder da Igreja Católica, muitos cidadãos acabam institucionalizados e privados de relações próximas numa fase particularmente vulnerável da vida.

“A dolorosa sensação de ser esquecido”

Leão XIV sublinha que uma das experiências mais difíceis associadas ao envelhecimento é o sentimento de abandono.

“A dolorosa sensação de ser esquecido é, infelizmente, comum a muitas pessoas e, entre elas, não poucas são idosas”, refere.

O Papa alerta ainda que os avanços tecnológicos, apesar de criarem novas formas de comunicação, não conseguem substituir a necessidade humana de contacto direto e proximidade afetiva.

“A cultura digital multiplica as conexões e oferece novas possibilidades de encontro; no entanto, o coração humano conserva uma necessidade inalienável de proximidade”, sustenta.

Apelo aos jovens para visitarem os avós

Na parte final da mensagem, o pontífice dirige-se especialmente às gerações mais novas, incentivando-as a fortalecer os laços familiares.

“Que este dia seja um estímulo para todos, em particular os mais jovens, retomarem o bom hábito de visitar os seus avós, os idosos da família e também aqueles que não recebem nenhuma visita”, apelou.

Leão XIV defende que pequenos gestos de presença e atenção podem fazer a diferença na vida de quem enfrenta a solidão.

“Não tenhais medo da fragilidade”

O Papa aproveitou ainda a ocasião para refletir sobre o envelhecimento e a dimensão espiritual da velhice.

“Sinto-me no dever de vos dizer: não tenhais medo da fragilidade. É justamente esta fraqueza que esconde em si uma nova potencialidade que ilumina também as outras idades da vida”, afirmou.

O líder católico considera que a idade avançada pode representar uma oportunidade para aprofundar ou redescobrir a fé, mesmo para quem não teve uma vivência religiosa intensa ao longo da vida.

Instituído durante o pontificado de Papa Francisco, o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos celebra-se anualmente no quarto domingo de julho e procura sensibilizar a sociedade para a importância da valorização e integração dos mais velhos na vida familiar e comunitária.