quinta-feira, 14 mai. 2026

Papa alerta que Chernobyl continua a ser “aviso” para o mundo e apela à responsabilidade nuclear

O Papa Leão XIV assinalou os 40 anos do Acidente de Chernobyl, alertando que a tragédia continua a ser um aviso global sobre os riscos da energia atómica
Papa alerta que Chernobyl continua a ser “aviso” para o mundo e apela à responsabilidade nuclear

O Papa Leão XIV afirmou este domingo que o Acidente de Chernobyl continua a ser um “aviso” para a humanidade, apelando a maior responsabilidade no uso da energia nuclear.

Após a recitação do Regina Coeli, no Palácio Apostólico, o pontífice sublinhou que o desastre ocorrido em 1986 “marcou a consciência da humanidade” e evidenciou os riscos associados a tecnologias cada vez mais avançadas.

“Desejo que, em todos os níveis de decisão, prevaleçam sempre o discernimento e a responsabilidade, para que cada utilização da energia atómica esteja ao serviço da vida e da paz”, declarou.

O Papa confiou ainda à misericórdia de Deus as vítimas da tragédia e todos aqueles que continuam a sofrer as suas consequências, quase quatro décadas depois da explosão do reator número 4 da central, localizada na atual Ucrânia.

Na mesma intervenção, deixou também críticas indiretas aos conflitos armados, denunciando os que “saqueiam os recursos da terra” e alimentam guerras, privando o mundo de um futuro de paz.

Cerimónias em vários países e tensão política

O 40.º aniversário da catástrofe está a ser assinalado em várias cidades, incluindo Moscovo e Kiev, com homenagens às vítimas e aos milhares de operacionais que participaram nas operações de contenção.

Na Rosatom, o responsável Alexei Likhachev destacou que o acidente levou a uma revisão profunda dos padrões de segurança nuclear, garantindo que um cenário semelhante foi entretanto afastado nos reatores russos.

Já o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky acusou a Rússia de “terrorismo nuclear”, apontando riscos associados à guerra em curso e à ocupação da Central Nuclear de Zaporijia.

Também os EUA assinalaram a data, sublinhando que Chernobyl mudou para sempre a forma como o mundo encara a segurança nuclear, impulsionando regras internacionais mais rigorosas.

Por sua vez, o Movimento Ibérico Antinuclear reforçou que a energia nuclear não deve ser vista como solução para a crise energética, lembrando os impactos duradouros da radiação libertada.

Considerado o pior acidente nuclear civil da história, o desastre de Chernobyl continua, 40 anos depois, a marcar o debate global sobre segurança, energia e responsabilidade política.