O Papa Leão XIV afirmou este domingo que o Acidente de Chernobyl continua a ser um “aviso” para a humanidade, apelando a maior responsabilidade no uso da energia nuclear.
Após a recitação do Regina Coeli, no Palácio Apostólico, o pontífice sublinhou que o desastre ocorrido em 1986 “marcou a consciência da humanidade” e evidenciou os riscos associados a tecnologias cada vez mais avançadas.
“Desejo que, em todos os níveis de decisão, prevaleçam sempre o discernimento e a responsabilidade, para que cada utilização da energia atómica esteja ao serviço da vida e da paz”, declarou.
O Papa confiou ainda à misericórdia de Deus as vítimas da tragédia e todos aqueles que continuam a sofrer as suas consequências, quase quatro décadas depois da explosão do reator número 4 da central, localizada na atual Ucrânia.
Na mesma intervenção, deixou também críticas indiretas aos conflitos armados, denunciando os que “saqueiam os recursos da terra” e alimentam guerras, privando o mundo de um futuro de paz.
Cerimónias em vários países e tensão política
O 40.º aniversário da catástrofe está a ser assinalado em várias cidades, incluindo Moscovo e Kiev, com homenagens às vítimas e aos milhares de operacionais que participaram nas operações de contenção.
Na Rosatom, o responsável Alexei Likhachev destacou que o acidente levou a uma revisão profunda dos padrões de segurança nuclear, garantindo que um cenário semelhante foi entretanto afastado nos reatores russos.
Já o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky acusou a Rússia de “terrorismo nuclear”, apontando riscos associados à guerra em curso e à ocupação da Central Nuclear de Zaporijia.
Também os EUA assinalaram a data, sublinhando que Chernobyl mudou para sempre a forma como o mundo encara a segurança nuclear, impulsionando regras internacionais mais rigorosas.
Por sua vez, o Movimento Ibérico Antinuclear reforçou que a energia nuclear não deve ser vista como solução para a crise energética, lembrando os impactos duradouros da radiação libertada.
Considerado o pior acidente nuclear civil da história, o desastre de Chernobyl continua, 40 anos depois, a marcar o debate global sobre segurança, energia e responsabilidade política.