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Com apenas 21 quilómetros quadrados de território e cerca de 12 mil habitantes, Nauru é um dos países mais pequenos do mundo, uma ilha tão diminuta que caberia com folga dentro do concelho de Cascais. Apesar da dimensão, o pequeno Estado insular do Pacífico está prestes a dar um passo histórico: mudar de nome.
O Parlamento nacional aprovou uma emenda constitucional que propõe rebatizar o país como "Naoero", numa tentativa de reforçar a identidade cultural local e romper com as marcas deixadas pelo colonialismo. A medida foi aprovada no passado dia 12 e ainda depende de um referendo popular para entrar em vigor definitivamente. Por enquanto, o governo não anunciou uma data para a consulta.
Por que razão querem mudar o nome?
"Naoero" é a designação tradicional utilizada pelos próprios habitantes da ilha antes da chegada dos europeus. O presidente David Adeang, citado pela RNZ, foi direto na justificação: "O nome Nauru surgiu porque os estrangeiros não conseguiam pronunciar corretamente Naoero. Foi mudado não por nossa vontade, mas apenas para conveniência de outros."
Se o referendo for aprovado, a alteração passará a constar de todos os registos oficiais e símbolos nacionais, incluindo a representação do país nas Nações Unidas.
Um país sem capital nem partidos políticos
Localizado no sudoeste do Oceano Pacífico, Nauru é reconhecido como república parlamentar independente desde 1968 e é considerado o terceiro país mais pequeno do mundo em área e população, a seguir ao Vaticano e ao Mónaco.
O país não tem capital oficial. O distrito de Yaren acolhe o Parlamento, os escritórios presidenciais e os principais organismos administrativos, funcionando na prática como sede do governo.
O sistema político é igualmente singular:
Não existem partidos formais
Todos os deputados concorrem às eleições como independentes
O presidente é eleito pelos próprios membros do Parlamento
O cargo é atualmente ocupado por David Adeang, eleito em 2023.
De ilha rica a país dependente
Hoje, Nauru depende quase inteiramente da Austrália para sobreviver financeiramente. Mas houve um tempo, não muito distante, em que era o oposto: a ilha chegou a ser um dos lugares mais ricos do mundo per capita.
A descoberta de grandes reservas de fosfato em 1900 transformou radicalmente a economia local. O mineral, formado ao longo de milénios pela acumulação de dejetos de aves marinhas ricas em fósforo, chegou a garantir uma renda por habitante de cerca de 50 mil dólares nas décadas de 1970 e 1980. Toda essa riqueza foi, porém, dissipada em investimentos considerados falhados, incluindo empreendimentos imobiliários no estrangeiro e uma companhia aérea cronicamente deficitária. O que ficou foi a dependência.
A história da ilha ajuda a perceber por que razão a mudança de nome carrega tanto peso simbólico. A ocupação estrangeira não foi um episódio isolado: começou com o avistamento europeu em 1798, passou pelo controlo alemão no final do século XIX e, após a Primeira Guerra Mundial, pelo controlo conjunto da Austrália, do Reino Unido e da Nova Zelândia. O momento mais negro chegou com a Segunda Guerra Mundial, quando as forças japonesas ocuparam a ilha e centenas de habitantes morreram em trabalhos forçados, execuções e ataques militares. A independência só veio em 1968.