Pagou mais de 260 mil euros por Porsche a pensar que era novo

Cliente descobriu a verdade quando começaram problemas elétricos graves. Técnicos confirmaram que carro tinha sido desmontado e mal remontado. Etiqueta no porta-luvas dizia que carro não era para venda
Pagou mais de 260 mil euros por Porsche a pensar que era novo

Quando se compra um carro novo, espera-se que seja... novo. Pode ter algumas dezenas de quilómetros de transporte e test-drives, mas ninguém espera que tenha sido desmontado e remontado várias vezes por mecâncos em formação. Mas foi o que aconteceu a Abdul Azizi, que pagou 281.940 dólares (cerca de 260 mil euros) por um Porsche 911 GT3 de 2022.

A história, contada pela Automotive News, mostra como um dos mais cobiçados desportivos da Porsche foi vendido como novo quando tinha sido utilizado no Programa de Aprendizagem Tecnológica da Porsche para treinar futuros técnicos. E a marca pode ter tentado ocultá-lo.

O caso está agora em tribunal na Florida, onde Azizi processa a Porsche Cars North America (PCNA) e o stand Porsche Warrington, acusando-os de fraude e ocultação.

Stand garantiu que era "só para marketing"

Abdul Azizi comprou o GT3 no stand Porsche Warrington, na Pennsylvania, com apenas 55 km no conta-quilómetros. Segundo o processo, o stand garantiu-lhe que o carro tinha sido usado apenas para "fins de exposição e marketing".

A realidade era diferente. Azizi alega que o seu GT3 foi usado no Programa de Aprendizagem Tecnológica da Porsche e usado para treinar técnicos. Quantas vezes foi desmontado e remontado, ninguém sabe, mas "muitas vezes" parece seguro.

Problemas elétricos denunciaram a verdade

Pouco depois da compra, "o carro desenvolveu graves problemas no sistema elétrico". Quando o comprador levou o veículo a um técnico certificado Porsche, foi-lhe dito que "parecia que tinha sido efectuado trabalho anterior consistente com utilização prévia como veículo de formação".

Numa segunda opinião, outro técnico "observou que uma parte do chassis tinha sido removida e substituída incorretamente".

As reparações falharam repetidamente. O carro "esteve sem poder ser usado durante a maior parte de um ano" e Azizi não o conduziu "desde o início de 2025".

Etiqueta reveladora no porta-luvas

Quando Azizi perguntou pela etiqueta da janela (documento obrigatório nos EUA), o stand alegadamente disse que o carro não vinha com uma.

Mas quando chegou a casa, Azizi encontrou a etiqueta no porta-luvas. Com uma informação reveladora: "PCNA CAR NOT FOR SALE".

Jacob Abrams, advogado de Azizi, em declarações à Automotive News, afirma:

"A Porsche alocou indevidamente um veículo que utilizou para formar técnicos para venda a consumidores e conspirou com o stand para ocultar a utilização prévia. Aguardamos expor esta prática injusta e provar que os réus são responsáveis por danos significativos."

E em Portugal, pode acontecer?

Em Portugal, a legislação protege consumidores através do Código do Consumidor, que proíbe práticas comerciais enganosas. Veículos novos têm garantia mínima de 2 anos.

Se um caso semelhante ocorresse em Portugal, o comprador teria bases legais sólidas para exigir anulação da venda e compensação integral.

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