As autoridades dos Estados Unidos enviaram um avião governamental a Cuba para repatriar uma criança de 10 anos que estava no centro de uma disputa de custódia, envolvendo também questões relacionadas com a sua identidade de género.
A operação, considerada incomum, foi conduzida pelo Departamento Federal de Investigação (FBI) e culminou no regresso da menor ao território norte-americano, onde foi entregue à mãe biológica esta segunda-feira, dia 20 de abril.
A outra progenitora, Rose Inessa-Ethington, uma mulher transexual que terá fornecido o esperma para a conceção da criança antes da sua transição, é acusada, juntamente com a sua atual companheira, de ter levado a menor para Cuba sem autorização da mãe com quem partilha a guarda.
Ambas foram detidas e acusadas de rapto parental internacional.
Segundo a investigação, a criança foi inicialmente levada para o Canadá sob o pretexto de uma viagem, tendo sido posteriormente transportada para o México e, por fim, para Cuba.
De acordo com a Associated Press, as autoridades começaram a procurar a menor após um familiar manifestar preocupação com a possibilidade de Inessa-Ethington se ter deslocado a Havana com o objetivo de submeter a criança a uma cirurgia de transição de género.
No entanto, este tipo de intervenções em menores é extremamente raro e sujeito a regras rigorosas, sendo ilegal em países como Cuba. Nos Estados Unidos, apenas alguns estados permitem estes procedimentos, ainda assim em circunstâncias muito restritas.
O recurso a um avião governamental para este tipo de operação é pouco comum e reflete a complexidade do caso, que envolve dimensões legais, familiares e políticas.
O episódio surge num contexto de crescente debate nos Estados Unidos sobre direitos parentais e cuidados relacionados com identidade de género em menores.
A investigação continua e o processo judicial segue os trâmites legais.