segunda-feira, 14 set. 2026

ONU alerta que limite de 1,5 graus será ultrapassado, mas ainda há tempo para travar aquecimento global

A ONU alerta que o aquecimento global deverá ultrapassar nos próximos anos o limite de 1,5 graus Celsius, mas considera que ainda é possível reduzir os impactos. António Guterres pede menos combustíveis fósseis, mais energias renováveis e cortes rápidos nas emissões
ONU alerta que limite de 1,5 graus será ultrapassado, mas ainda há tempo para travar aquecimento global

O aquecimento global deverá ultrapassar, nos próximos anos, o limite de 1,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, mas ainda é possível limitar a dimensão e a duração desse excesso, segundo um relatório divulgado esta quarta-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente.

O documento defende que, apesar de o mundo se aproximar de um momento crítico para o clima, continua a ser possível reduzir as temperaturas e manter os objetivos definidos no Acordo de Paris, adotado em 2015.

O acordo internacional estabelece como meta limitar o aumento da temperatura média global a um valor inferior a 2 graus Celsius, procurando, idealmente, impedir que ultrapasse os 1,5 graus.

«Devemos fazer com que o excesso seja o menor e mais breve possível, limitando o aumento das temperaturas e o tempo em que se mantêm acima dos 1,5 graus», afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

ONU pede redução das emissões e abandono dos combustíveis fósseis

Para António Guterres, a resposta à crise climática exige uma aceleração das medidas de redução das emissões de gases com efeito de estufa.

O secretário-geral da ONU defendeu o reforço da transição energética, com uma eliminação progressiva dos combustíveis fósseis e uma aceleração da expansão das energias renováveis.

A redução da poluição por metano e a proteção dos solos, das florestas e dos oceanos são também apontadas como prioridades.

«Isto exige redobrar os nossos esforços: acelerar a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e a revolução das energias renováveis, reduzir drasticamente a poluição por metano e proteger a terra, as florestas e os oceanos», sublinhou.

Cada fração de grau pode agravar os impactos

O relatório alerta que, uma vez ultrapassado o limite de 1,5 graus, os efeitos das alterações climáticas se irão intensificar «a cada fração de grau».

Entre as consequências apontadas estão o aumento da frequência e intensidade dos fenómenos meteorológicos extremos, a destruição de ecossistemas e a ameaça de submersão de pequenos Estados insulares e cidades costeiras de baixa altitude.

O documento alerta ainda para potenciais consequências graves para a saúde humana, a segurança alimentar, o abastecimento de água e o ambiente.

A ONU chama também a atenção para o risco crescente de serem ultrapassados pontos de inflexão irreversíveis, incluindo a perda parcial das calotes polares da Antártida Ocidental e da Gronelândia ou uma degradação significativa da floresta amazónica.

Três fases para responder à crise climática

Para enfrentar este cenário, o relatório recomenda uma estratégia assente em três frentes de atuação simultâneas: resposta imediata, adaptação e contenção, e reforço da resiliência a longo prazo.

Numa primeira fase, a prioridade passa por reduzir rapidamente as emissões de gases com efeito de estufa e avançar para a neutralidade carbónica.

O relatório defende também medidas urgentes de adaptação para proteger as comunidades e os ecossistemas mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas.

A médio e longo prazo, a estratégia poderá passar também pela obtenção de emissões líquidas negativas, através da remoção de dióxido de carbono da atmosfera.

Entre as soluções apontadas encontram-se métodos convencionais, como a reflorestação e a recuperação de ecossistemas, mas também tecnologias inovadoras de captura direta de carbono e armazenamento.

Países mais responsáveis devem agir mais depressa

O Programa das Nações Unidas para o Ambiente sublinha que a resposta à crise climática dependerá de vontade política, cooperação internacional, financiamento e políticas eficazes.

O relatório defende ainda que os princípios de equidade e justiça devem orientar as decisões.

Nesse sentido, os países com maior responsabilidade histórica pelas alterações climáticas e maior capacidade económica para enfrentar os seus efeitos devem, segundo a ONU, agir «com mais decisão e rapidez».

Ao mesmo tempo, os países mais afetados de forma desproporcionada pelas alterações climáticas devem ser envolvidos e respeitados nos processos de decisão.