terça-feira, 21 jul. 2026

ONU alerta que 258 milhões de crianças têm a educação afetada por guerras e crises climáticas

O número de crianças e adolescentes cuja educação foi interrompida por conflitos armados, deslocações forçadas ou fenómenos climáticos extremos aumentou para 258 milhões. A ONU alerta que 93 milhões estão completamente fora da escola
ONU alerta que 258 milhões de crianças têm a educação afetada por guerras e crises climáticas

O número de crianças e adolescentes cuja educação está comprometida por conflitos armados, deslocações forçadas, choques climáticos e crises socioeconómicas prolongadas subiu para 258 milhões em todo o mundo, segundo um relatório divulgado esta terça-feira pelo fundo das Nações Unidas Educação Não Pode Esperar (Education Cannot Wait).

O documento revela que este universo aumentou em cerca de 21 milhões de crianças em apenas 18 meses, refletindo o agravamento das crises humanitárias e dos conflitos em várias regiões do mundo.

Entre os 258 milhões de crianças em idade escolar afetadas, 93 milhões encontram-se completamente fora do sistema de ensino.

As restantes 165 milhões continuam matriculadas, mas frequentam escolas em condições extremamente precárias, marcadas pela insegurança, interrupções frequentes das aulas, falta de professores e escassez de recursos, fatores que comprometem seriamente a aprendizagem.

Segundo o relatório, a educação tornou-se uma das áreas mais afetadas pelo aumento dos conflitos e dos fenómenos climáticos extremos registados nos últimos anos.

Nove países concentram quase 60% dos casos

A ONU destaca que a exclusão escolar provocada por crises está fortemente concentrada em apenas nove países.

Quase 60% das crianças afetadas vivem no Afeganistão, Bangladesh, República Democrática do Congo, Etiópia, Myanmar, Nigéria, Paquistão, Sudão e Iémen.

Em muitos destes países, os conflitos armados prolongados, a instabilidade política, os desastres naturais e os deslocamentos forçados têm provocado o encerramento de escolas e dificultado o acesso à educação durante vários anos.

O relatório conclui que os conflitos e a violência permanecem a principal causa da interrupção da educação de milhões de crianças.

"A evidência é clara: os conflitos e as alterações climáticas estão a destruir conquistas arduamente alcançadas na educação", afirma Maysa Jalbout, diretora do fundo Educação Não Pode Esperar.

A responsável defende que a comunidade internacional deve aumentar o investimento na educação em contextos de crise, alertando que garantir o acesso à escola é essencial para proteger o futuro das crianças e promover a estabilidade das sociedades.

Refugiados, meninas e crianças com deficiência são os mais vulneráveis

O documento identifica ainda os grupos que enfrentam maiores obstáculos no acesso ao ensino.

Entre os mais vulneráveis estão as crianças refugiadas, os deslocados internos, as meninas e as crianças com deficiência, que continuam a enfrentar discriminação, insegurança e maiores dificuldades para permanecer na escola.

A ONU alerta que, sem um reforço urgente do financiamento internacional e de políticas de apoio à educação em situações de emergência, milhões de crianças correm o risco de perder definitivamente o acesso ao ensino, agravando desigualdades e comprometendo o desenvolvimento económico e social das próximas décadas.