A aplicação da pena de morte a nível mundial está a aumentar de forma preocupante, alertou hoje o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, destacando a situação no Irão, na Arábia Saudita e nos Estados Unidos.
"Embora a tendência global continue a caminhar para a abolição universal da pena de morte, o número de execuções aumentou acentuadamente em 2025, principalmente devido a um aumento significativo num pequeno número de Estados que a mantêm", afirmou Volker Türk, num comunicado divulgado hoje em Genebra à LUSA.
"O meu gabinete observou um aumento alarmante na aplicação da pena de morte em 2025, particularmente para crimes que não se enquadram nos critérios de 'crimes muito graves' exigidos pelo direito internacional", afirmou o representante da ONU.
Segundo Türk, no Irão foram executadas pelo menos 1500 pessoas em 2025, sendo a pena de morte utilizada como um instrumento de intimidação estatal.
Já na Arábia Saudita foram executadas mais de 350 pessoas, incluindo dois menores.
Nos Estados Unidos, ocorreram 47 execuções em 2025, o número mais elevado em 16 anos, de acordo com o Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
"A pena de morte não é uma ferramenta eficaz no combate ao crime e pode levar à execução de inocentes", afirmou Türk, apelando a todos os Estados que mantêm a pena de morte para que "estabeleçam uma moratória imediata nas execuções, comutem todas as sentenças de morte existentes e caminhem para a sua completa abolição".