terça-feira, 21 jul. 2026

Onda de calor em França fez disparar mortes em quase 30% numa semana

A vaga de calor que atingiu França no final de junho provocou um forte aumento da mortalidade. As autoridades de saúde estimam mais de duas mil mortes adicionais numa semana, com a região de Paris a registar um agravamento superior a 60%
Onda de calor em França fez disparar mortes em quase 30% numa semana

A onda de calor que atingiu França no final de junho provocou um aumento de quase 30% no número de mortes numa única semana, segundo o mais recente balanço divulgado esta sexta-feira pela agência de saúde pública francesa.

De acordo com a Santé publique France, entre 22 e 28 de junho registou-se um aumento de 29,1% da mortalidade, o equivalente a 2.025 mortes adicionais face à semana anterior.

A agência alerta, contudo, que este número deverá estar subestimado, uma vez que a estimativa se baseia apenas nas certidões de óbito eletrónicas, que representam pouco mais de metade das mortes registadas no país.

Ainda assim, o aumento percentual é considerado um indicador fiável da dimensão do impacto sanitário da vaga de calor, que durou cerca de 10 dias e incluiu três dos dias mais quentes alguma vez registados em França.

Região de Paris registou agravamento superior a 60%

O impacto foi particularmente expressivo na região da Île-de-France, onde se insere Paris, com um aumento superior a 62% no número de mortes durante a última semana analisada.

Um crescimento semelhante foi igualmente observado na região dos Países do Loire, no oeste do país.

Num balanço anterior, a Santé publique France tinha apontado para cerca de mil mortes acima do esperado, mas esse cálculo dizia respeito apenas ao final da semana. Os novos dados abrangem todo o período de 22 a 28 de junho, apesar de as temperaturas extremas terem começado alguns dias antes.

Mortes em casa aumentaram 91%

A ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist, revelou que um dos aspetos mais preocupantes deste balanço é o aumento das mortes ocorridas nas habitações.

"Nestes 2.025 óbitos verifica-se um aumento de 91% das mortes em casa em comparação com a semana anterior", afirmou a governante ao canal TF1.

As elevadas temperaturas tornaram muitas casas praticamente inabitáveis, sobretudo em zonas urbanas, onde milhares de pessoas enfrentaram dificuldades para manter condições mínimas de conforto.

Perante a persistência do calor, voltaram a ser previstas temperaturas elevadas para este fim de semana. Na quinta-feira, registaram-se mesmo cenas de tensão em lojas francesas durante a venda de cerca de 200 mil ventiladores e aparelhos de ar condicionado, devido à elevada procura.

Casos de insolação e desidratação multiplicaram-se

Segundo a organização SOS Médecins, as intervenções relacionadas com insolações aumentaram seis vezes durante a vaga de calor, enquanto os casos de desidratação quadruplicaram, afetando pessoas de todas as idades.

As autoridades de saúde têm alertado repetidamente para o risco acrescido de morrer em casa durante episódios de calor extremo, sobretudo entre pessoas idosas, doentes crónicos e cidadãos em situação de maior vulnerabilidade.

Autoridades recordam tragédia de 2003

A vaga de calor trouxe inevitavelmente à memória o verão de 2003, quando cerca de 15 mil pessoas morreram em França, maioritariamente idosos, muitos dos quais em lares, mas também nas suas próprias casas.

Apesar de o episódio registado em junho ser considerado meteorologicamente mais intenso, as autoridades francesas sublinham que, até ao momento, o impacto na saúde pública continua a ser inferior ao verificado há mais de duas décadas, resultado das medidas de prevenção e dos sistemas de alerta entretanto implementados.