quinta-feira, 05 mar. 2026

"O que falta é a Rússia decidir que já chega". António Costa e Ursula von der Leyen reúnem-se com Zelensky no quarto aniversário da invasão

Zelensky vê 2027 como um ano possível de adesão à União Europeia. Já Ursula von der Leyen e António Costa não se comprometem.

O presidente do Conselho Europeu e a presidente da Comissão Europeia viajaram até Kiev para assinalar os quatro anos da invassão russa na Ucrânia.

Além de visitarem uma infraestrutura energética bombardeada, os dois encontraram-se com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, onde a adesão à União Europeia foi um tema fulcral para Zelensky.

Apesar da insistência do presidente e de este ter dito que seria possível alcançar essa meta já no próximo ano, Ursula von der Leyen mantém as expectativas baixas. “Sobre se existe alguma maneira de a Ucrânia se tornar membro da União Europeia, a resposta é um sim muito claro. A Ucrânia está no caminho certo. E entendo perfeitamente que, para si, uma data definida também seja importante. A data que [Zelensky] estabeleceu é o seu parâmetro. Da nossa parte, datas, por si só, não são possíveis", explicou, dirigindo-se a Zelensky.

Na rede social X, Von der Leyen voltou a não falar em datas, limitando-se a apoiar a Ucrânia. António Costa, seguiu a mesma estratégia, num texto em comum.

“É evidente que o futuro de uma Ucrânia democrática e próspera passa pela UE. A Ucrânia precisa de continuar a avançar. Continuar a fortalecer as suas instituições. Aprofundar o Estado de Direito. Continuaremos a apoiar a Ucrânia no seu processo de adesão”, escreveram.

Já Zelensky agradeceu à Europa pelos esforços, referindo novamente o ano de 2027 como o ano de adesão da Ucrânia à União Europeia. "A Europa esteve ao nosso lado durante estes anos difíceis, e o nosso povo confia na Europa. Eles sabem que não estamos sozinhos", começou por escrever. "O ano de 2027 é importante e viável, para que Putin não possa bloquear a nossa adesão por décadas", acrescentou.

"Houve um relativo insucesso nos esforços de Trump junto de Putin”

Em declarações aos jornalistas em Kiev, António Costa referiu os esforços de Trump para acabar com a guerra. "A Rússia, desde o primeiro dia que continua a fazer exatamente as mesmas exigências. Não há uma manipulação. Até agora houve um relativo insucesso nos esforços do presidente Trump junto do presidente Putin”.

O presidente do Conselho Europeu manteve ainda o apoio por parte da União Europeia à Ucrânia. “É fundamental que a Rússia se decida a empenhar-se na paz e para isso há 2 condições: manter uma pressão elevada sobre a Russia para a forçar a ir para a mesa das negocições e manter o apoio à Ucrânia para que possa continuar a resistir", disse.

Para o presidente do Conselho Europeu, “o que falta verdadeiramente para chegarmos à paz é a Rússia finalmente decidir que já chega de prosseguir a guerra [com a Ucrânia] e empenhar-se num acordo de paz”, acrescentou.

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