sexta-feira, 08 mai. 2026

"O que é que vocês querem?". Carta de despedida de Jeffrey Epstein é mantida em segredo há sete anos pela justiça

O bilhete foi usado no processo judicial do colega de cela, que encontrou o bilhete escondido num livro do criminoso.

Foram sete anos de encobrimento. Uma carta de despedida de um dos criminosos mais polémicos dos últimos anos foi mantida em segredo. Afinal, Jeffrey Epstein despediu-se numa altura em que achou que tirar a própria vida seria a solução para as acusações que lhe eram dirigidas.

A história foi agora revelada pelo The New York Times, que explica que a nota escrita por Jeffrey Epstein foi descoberta um mês antes da sua morte, numa tentativa anterior de se matar com uma tira de pano pendurada no pescoço. Na altura foi encontrado inconsciente na sua cela, mas sobreviveu. Foi encontrado morto a 10 de agosto de 2019.

O bilhete foi lacrado por um juíz federal como parte do caso criminal do colega de cela. Não foi utilizado, no entanto, como elemento de investigação na morte do criminoso sexual, tendo sido uma prova que poderia evidenciar o estado de saúde mental de Epstein.

O jornal norte-americano tentou ter acesso à nota - o que não aconteceu. De acordo com Nicholas Tartaglione, colega de cela do criminoso sexual, o bilhete diria algo como "é hora de se despedir", o que revelou num podcast no ano passado. No entanto, mais nada se sabe sobre o bilhete, que nunca foi divulgado publicamente.

Apesar de o Departamento de Justiça afirmar que não tem a nota na sua posse, o New York Times explica que o bilhete foi autenticado pelos advogados do colega de cela, apesar de afirmar que foi uma longa disputa entre advogados para acontecer. Tartaglione, acusado de quatro homicídios e a cumprir quatro sentenças d eprisão perpétua, continuou a negar qualquer agressão a Epstein, tese que foi criada pelo próprio na altura em que tentou suicidar-se a primeira vez. Mais tarde, garantiu sentir-se seguro com o colega de cela e que "nunca teve problemas" com ele.

O colega de cela tem revelado a sua versão em entrevistas telefónicas, revelando que encontrou o bilhete num livro após Epstein ter sido transferido para uma parte do estabelecimento prisional onde era vigiado por suicídio, em julho de 2019. "Abri o livro para ler e lá estava", disse Tartaglione: um pedaço de papel amarelo arrancado de um bloco de notas.

De acordo com ele, Epstein dizia no bilhete que a investigação sobre ele continuava há vários meses e que ninguém encontrava nada. "O que vocês querem que eu faça, desabar em lágrimas? É hora de me despedir", relembra o que estava escrito. Na altura, a nota foi entregue aos advogados de Tartaglione para o proteger caso Epstein mantivesse as alegações de que era o colega de cela que o agredia.

Este tem sido um assunto debatido desde que se soube da existência do bilhete, uma vez que os EUA estão num momento de "total transparência" após a aprovação da "Lei de Transparência dos Arquivos de Epstein", que exige que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgue todos os registos todos os registos não classificados ligados a Epstein e à sua cúmplica, Ghislaine Maxwell, tendo em atenção que podem ser feitas ocultações para proteger vítimas, salvaguardar investigações, preservar dados por segurança nacional e para garantir a proteção de dados. Até agora foram divulgados cerca de três milhões de ficheiros.

Recorde-se que Jeffrey Epstein foi encontrado morto na sua cela aos 66 anos, tendo sido dado como suicídio. No entanto, há várias teses que tentam contrariar essa conclusão, principalmente depois de ter sido divulgado que a última guarda prisional a ver Epstein vivo, Tova Noel, fez "movimentações de dinheiro suspeitas" nos 12 meses antes da morte do detido. Além disso, Noel terá pesquisado o nome de Epstein na internet minutos antes de ele ser encontrado já sem vida.