terça-feira, 18 ago. 2026

Concessionários em Itália impedem clientes de comer refeições preparadas em casa. Polémica está a dividir o país

Levar comida preparada em casa para a praia pode transformar-se num problema em várias zonas de Itália. Apesar de a lei permitir que os banhistas consumam refeições trazidas de casa, há concessionários que proíbem essa prática e encaminham os clientes para os bares e restaurantes dos estabelecimentos, alimentando uma polémica que volta a dividir o país.
Concessionários em Itália impedem clientes de comer refeições preparadas em casa. Polémica está a dividir o país

As medidas implementadas em praias italianas continua a concorrer com a polémica dos concessionários em Portugal. 

Depois da polémica com uma praia em que apenas crianças e idosos poderiam usar chapéu de sol e limitados a um por família, está a ir-se mais longe: concessionários de praia impedem os clientes de comer refeições preparadas em casa naquele local. 

O que diz a lei?

A possibilidade de levar comida de casa para os concessionários é real.

Esta está, aliás, refletida na lei, que prevê que todos os banhistas possam comer alimentos trazidos de casa, inclusive aqueles que aproveitem o dia de praia num concessionário. 

O que acontece na prática?

No entanto, isso contrasta com a realidade. Em muitas praias da região, os banhistas são impedidos de consumir refeições preparadas em casa sob o chapéu de um concessionário, sendo mesmo convidados ou a dirigir-se ao bar ou restaurante da praia ou a abandonar a estrutura.

A polémica foi mais a fundo quando uma mãe, Rosaria, de 35 anos, revelou que foi advertida para o consumo de comida caseira num concessionário. A sua estratégia foi começar a colocar no fundo das malas quatro sandes preparadas em casa para a família. “Com dois filhos, não posso pagar para comprar sandes no bar todos os dias ou almoçar no restaurante do estabelecimento”, lamenta, acrescentando: “Uma sandes custa cinco euros: para quatro pessoas são 20 euros, aos quais tem que adicionar bebidas e até sobremesa. Então eu preparo em casa, escondo no saco da praia e quando chega a hora de almoço, alimento as crianças à beira-mar”

Ao jornal italiano Corriere della Sera, o representante da associação de concessionários de praia, a Asoturismo, argumenta que o problema não são as sandes caseiras, mas sim os “piqueniques que prejudicam a imagem dos clubes de praia”. Nicola Ragno condena as “refeições completas” dos banhistas, alegando que criam “problemas de higiene, de gestão de resíduos e de ordem geral, ao mesmo tempo que complicam os serviços que os proprietários dos negócios prestam através de investimentos significativos e pessoal dedicado”.

O debate veio novamente a público após o presidente da Região de Puglia, Antonio Decaro, se ter demonstrado a favor do consumo de comida caseira nas praias daquela zona. O presidente da região demonstrou o seu desagrado com a situação nas suas redes sociais onde frisa que “o mar é um bem comum e não deve tornar-se um luxo”.

A polémica com as praias e concessionários é uma polémica antiga. Desde 2019 que a associação Mare Libero, cujo principal objetivo é defender as praias e o mar como bens públicos e comuns, combatendo a privatização excessiva do litoral e a exclusão dos banhistas, contesta estas medidas, consideradas “ilegítimas”, por serem “mais favoráveis aos interesses privados das concessionárias que gerem os estabelecimentos do que aos direitos dos cidadãos”. A associação vê estas medidas como “abusos do património público”.