Novos documentos levantam dúvidas sobre a morte de Epstein: guarda que o viu pela última vez pesquisou o seu nome meia hora antes de ser encontrado morto

As teorias relacionadas com a morte de Epstein continuam a contrariar a tese de suicídio. O irmão do criminoso chegou a acusar a administração Trump.

Os detalhes sobre o caso de Jeffrey Epstein não deixam de surpreender. Um dos maiores assuntos que causam ainda teorias da conspiração é a morte do criminoso sexual.

Jeffrey Epstein foi encontrado morto na sua cela no Centro Comercial Metropolitano onde aguardava julgamento. A morte foi dada como suicídio. Mas as teorias surgem até hoje, incluindo com declarações do irmão do criminoso que garante ter sido a administração Trump a ordenar a morte de Epstein.

Os depósitos suspeitos

Num dos documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos surge a informação de que a última guarda prisional a ver Epstein vivo, Tova Noel, fez "movimentações de dinheiro suspeitas" nos 12 meses antes da morte do detido. No total, foram 12 depósitos em numerário em caixas de multibanco, iniciados em outubro de 2018. Tudo foi sinalizado pelo banco da agente ao FBI em novembro de 2019.

Noel, de 37 anos, terá feito o último depósito, de cinco mil dólares (mais de quatro mil euros), na sua conta quinze dias antes do dia 10 de agosto, dia da morte de Epstein, de acordo com informação divulgada pelo jornal The Telegraph.

A guarda prisional chegou a ser acusada de falsificar os registos de verificação de prisioneiros na noite de 10 de agosto, tendo sido despedida juntamente com o colega Michael Thomas. O despedimento veio na sequência de imagens de videovigilância que confirmaram que os dois guardas não verificaram Epstein durante oito horas: a cela do banqueiro era a 4,5 metros da secretária dos guardas, de acordo com o mesmo jornal.

Às 19h49 do dia 9 de agosto de 2019, Epstein voltou para a sua cela, acompanhado por Noel e outro agente, após uma reunião com o seu advogado. Às 22h00, os guardas não realizaram a contagem habitual, mas assinaram um documento onde afirmavam que a verificação tinha sido feita.

No entanto, as acusações criminais nunca chegaram a ser concretizadas.

A pesquisa antes da morte

Novas revelações do FBI mostram que Noel pesquisou o nome de Epstein na internet minutos antes de ele ser encontrado já sem vida. "Últimas notícias sobre Epstein na prisão" foi a pesquisa da guarda às 05h43 e depois, novamente, às 05h52 do dia 10 de agosto de 2019. O colega Michael Thomas encontrou Epstein morto às 06h30. No entanto, Tova Noel negou que não fez essa pesquisa, num depoimento sobre juramento em 2021 (onde não foi questionada sobre os depósitos suspeitos). “Não me lembro de ter feito isso”, afirmou. Quando lhe mostraram o registo da pesquisa, insistiu que estava incorreto.

Noel poderá ser a "figura laranja"

Num relatório do Departamento de Justiça dos EUA, divulgado em 2023, Noel foi identificada como a "misteriosa figura laranja" que aparece junto à cela de Epstein nas imagens de videovigilância às 22h40 na noite da sua morte. "As imagens mostram um agente prisional, que se acredita ser Tova Noel, a transportar roupa de cama ou vestuário de recluso”. "Foi a última vez que um agente se aproximou da única entrada da ala de isolamento”, descrevem.

Tova Noel tinha dito que a última vez que viu Epstein vivo foi "algures depois das 22h" no dia 9 de agosto, afirmando ainda que "nunca distribuiu roupa de cama", porque já tinha sido entregue. O outro guarda estaria a dormir entre as 22h e a meia noite.

O recluso que ouviu os guardas

Outros documentos incluem descrições do FBI sobre uma entrevista a um recluso que afirmou ter ouvido uma conversa entre os guardas onde discutiam como encobrir a morte de Epstein na manhã da sua morte. O recluso terá acordado no dia 10 de agosto de 2019, dia da morte, com "confusão", onde ouviu agentes a gritar "Respira! Respira!” por volta das 06h30. Na altura do pequeno-almoço nessa manhã, garante que toda a ala ouviu alguém dizer "Vocês mataram aquele tipo", a quem uma guarda respondeu “Se ele estiver morto vamos encobrir e ele vai ter um álibi — os meus agentes.”

Apesar de Noel negar veemente se esteve envolvida na morte de Epstein, o mesmo recluso diz ter ouvido outros prisioneiros dizer "A senhora Noel matou o Jeffrey".