O líder do Reform UK, Nigel Farage, anunciou esta terça-feira a demissão do cargo de deputado pelo círculo eleitoral de Clacton-on-Sea, no sudeste de Inglaterra, para provocar uma eleição intercalar, na qual voltará a apresentar-se como candidato.
Numa comunicação transmitida pela televisão, Farage afirmou que pretende transformar a votação numa escolha entre "o povo e o sistema", numa altura em que enfrenta crescente pressão devido a investigações relacionadas com donativos financeiros.
"Pensei muito no assunto e decidi que me vou demitir do cargo de deputado por Clacton-on-Sea, forçando assim uma eleição parlamentar parcial", declarou.
"O povo contra o sistema"
Segundo Farage, a eleição será uma oportunidade para os eleitores demonstrarem o seu descontentamento com o sistema político britânico.
"Esta será uma eleição parcial do povo contra o sistema", afirmou, prometendo continuar "a revolução" iniciada pelo Reform UK.
O dirigente acrescentou que pretende que sejam os próprios eleitores a decidir se continuam a querer que os represente no Parlamento.
Farage nega irregularidades
Durante a declaração, que decorreu sem perguntas dos jornalistas, Farage voltou a rejeitar qualquer ilegalidade relacionada com os donativos que estão sob investigação.
"Não fiz nada de errado. Não infringi a lei de forma alguma", garantiu.
O político é alvo de uma investigação conduzida pelo comissário para as normas parlamentares, Daniel Greenberg, devido a uma transferência de cinco milhões de libras (cerca de seis milhões de euros) efetuada por Christopher Harborne, um multimilionário britânico ligado ao setor das criptomoedas e residente na Tailândia.
Segundo Farage, esse montante constituiu um presente pessoal destinado a suportar despesas de segurança e foi recebido antes de ter sido eleito para a Câmara dos Comuns.
Paralelamente, deputados da oposição pediram uma nova investigação ao apoio financeiro concedido por George Cottrell, empresário ligado ao setor das apostas com criptomoedas e anteriormente condenado por fraude nos Estados Unidos.
Em ambos os casos, está em causa a alegada falta de declaração de donativos que, segundo as regras parlamentares britânicas, deveriam ter sido registados.
Investigação pode levar à suspensão
Caso se conclua que Farage violou as regras da Câmara dos Comuns, poderá ser suspenso do Parlamento.
Uma suspensão igual ou superior a dez dias permitiria aos eleitores de Clacton desencadear um processo para destituir o deputado e convocar uma eleição intercalar. Ao antecipar esse cenário, Farage optou por renunciar voluntariamente ao mandato e voltar a apresentar-se ao sufrágio.
Reform UK lidera sondagens
Eleito deputado pela primeira vez em 2024, após várias tentativas falhadas, Nigel Farage tornou-se uma das principais figuras da direita populista britânica e um dos rostos mais conhecidos da campanha a favor do Brexit.
Apesar de o Reform UK contar apenas com oito deputados na Câmara dos Comuns, o partido tem liderado de forma consistente as sondagens de opinião, à frente do Partido Trabalhista, atualmente no poder, e do Partido Conservador.
O anúncio de Farage surge também num período de instabilidade política no Reino Unido, depois da saída de Keir Starmer da liderança do Governo, enquanto o Partido Trabalhista prepara a escolha de um novo líder