Enquanto as guerras na Ucrânia e no Irão se vão arrastando, e cujo fim não se prevê num futuro próximo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a receber na Casa Branca o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
Os dois líderes estiveram em território norte-americano por ocasião do funeral do Senador republicano pela Carolina do Sul, Lindsey Graham, apoiante fervoroso das causas de ambos os países. Apoio este que não era meramente retórico, como fez questão de lembrar Zelensky numa publicação na rede social X. «Tínhamo-nos visto apenas recentemente, e é profundamente simbólico que a última viagem do senador Graham ao estrangeiro tenha sido a Kiev. Falámos de assuntos importantes - o apoio contínuo à Ucrânia e o aumento da pressão sobre a Rússia. Podemos ver esses esforços a tornarem-se realidade neste momento». Mais, o líder ucraniano acredita que «a melhor forma de honrar a sua memória» é «concretizar aquilo por que ele lutou, especialmente no que diz respeito à Ucrânia. Temos de apoiar essa aspiração e não deixar que a Rússia prolongue esta guerra. Acreditamos que os Estados Unidos dispõem de todos os meios necessários. O presidente Trump dispõe de todos os meios necessários. Seria mais do que justo trabalharmos juntos desta forma». A mensagem acabou com um agradecimento: «Obrigado, senador Graham. Estou verdadeiramente grato por a Ucrânia ter amigos como o senhor». De facto, o Senado dos Estados Unidos votou pela aprovação de um novo pacote de sanções à Rússia que havia sido planeado por Graham.
Netanyahu também recorreu ao X para lamentar a morte de «um dos maiores amigos de Israel»: «Lindsey [Graham] compreendeu que a segurança de Israel e dos Estados Unidos são indissociáveis. Dedicou a sua vida a defender os Estados Unidos, a reforçar a nossa aliança e a defender o mundo livre. Israel perdeu um dos seus maiores amigos. Os Estados Unidos perderam um grande patriota. Eu perdi um amigo querido».
E ainda que Zelensky e Netanyahu se tenham deslocado aos Estados Unidos pelo funeral de Graham, o objetivo das suas visitas separadas à Sala Oval foram distintos. Zelensky sentou-se na cadeira onde já havia protagonizado um episódio menos agradável, mas a tensão entre Washington e Kiev parece ter-se dissipado. O presidente ucraniano apenas queria retirar uma coisa deste encontro: ajuda americana para aumentar a sua capacidade de defesa aérea, nomeadamente a licença que necessita para produzir mísseis de interceção Patriot, algo que havia sido prometido por Trump numa cimeira da NATO. Esta seria uma peça-chave na defesa ucraniana contra os ataques com drones e mísseis balísticos levados a cabo por Moscovo. Após o encontro, e ainda que não tenha sido emitida uma confirmação oficial por parte dos Estados Unidos, Zelensky disse, citado pela BBC, à Fox News que «[Trump] confirmou que nos vai conceder as licenças».
E se o clima entre Zelensky e Trump tem vindo a aligeirar-se, o mesmo não se pode dizer das tensões entre Trump e Netanyahu. À medida que a guerra no Irão se foi arrastando, os diferentes objetivos de Washington e de Telavive foram ficando cada vez mais visíveis. Trump queria, e quer, um fim rápido para a operação, enquanto Netanyahu, que continuava a bombardear o Líbano contra a vontade do presidente norte-americano, pressente que está perante uma oportunidade imperdível para conseguir aquele que sempre foi o seu objetivo: colocar um ponto final na República Islâmica do Irão.
Ainda assim, ambos parecem ter saído satisfeitos do encontro. Trump disse, na rede social Truth que foi um «ótimo encontro». Netanyahu, citado pela BBC, foi mais longe: «[foi] uma das melhores conversas que já tive com o presidente dos Estados Unidos», anunciando que reforçaram não só o seu objetivo comum de impedir o Irão de desenvolver uma arma nuclear, como também «outros objetivos».
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